sábado, 24 de outubro de 2009

Nosso eclipse

Meu pai sempre me disse que na vida de um homem, uma preta linda há de entrar e fazer tudo mudar. E eu que sempre fui apaixonado pelas mulatas maravilhosas de meu tempo, tenho que admitir, por mais doloroso que seja, que a minha preta linda existe e está lendo isso agora. Não é nada demais, não atendo ao seu pedido que reclamava em meus ouvidos que não tinha mais palavras para seus olhos, não escrevo por encomenda, não escrevo sem sentir, só vou dizendo por aqui o que já transborda dentro de mim, ainda mais depois de lembrar alguns dos melhores momentos que já passei, e foram com você, amor...
Existem pessoas do lado de fora de nossa relação que podem até pensar que o que acontece é bem maior do que possa se imaginar. Acho que são todos invejosos e querem só arrumar uma desculpa pra abrir a boca e falar da vida dos outros. O que nós temos é o que nós temos e não dividiria com ninguém, deixe que digam, que pensem, que falem. Mas só eu sei que você é minha preta e nada mais importa, além disso.
Só porque quando eu sinto saudade de te abraçar, eu falo pra todo mundo que quero você aqui e você vem. E não é só pra me ver. É pra trazer um copo de caldo de cana pra mim também, porque eu estava com desejo de beber caldo de cana, um desejo tão grande quanto de ver seu sorriso mais uma vez.
E te perdôo pela ignorância de ter trazido um copo de caldo de cana quente...
Todos os adjetivos pejorativos que jogo em ti são só pra disfarçar o sentimento que se esconde por trás de cada palavra. Tento iludir meu pensamento pra não fazer sofrer um coração precoce que sempre foi dedicado a você desde
um desses carnavais perdidos em nossa memória.
Veja que o pensamento que tanto falo me faz lembrar mesmo de coisas das quais não tinha ainda analisado por completo e compreendo agora a intensidade de tais atitudes.
Burlar a convenção, desejar a mulher do irmão, querer o que não se pode, fazer o que não se deve, tudo aconteceu em perdição à sua atenção, ao seu viver, à vontade que me devorava, o tal perigo que me excitou. A preta nem era minha, mas o destino dizia que seria...
Mas hoje você já se faz distante, me liga de vezes em vezes com a voz alterada, não é mais aquela felicidade de antes, as horas de conversa já não passam de alguns minutos soltos no tempo que não nos pertence mais; sua alegria é uma nova alegria ao lado de outro que desconheço. E lhe digo que sou triste por isso...
Mas, amor, é tudo mentira. São só palavras pra te mostrar um sincero ciúme. É difícil de entender, mas o meu ciúme por você é de posse. Você é minha, e está aí passando uma temporada nos braços de outro. Sei que se sente feliz e isso somente já enobrece exageradamente as minhas intenções.
O que te faz bem reflete em mim a total e perfeita felicidade.
Se existe amizade com amor, eu lhe digo que entre nós existe um amor com amizade. Amo tudo o que você representa em mim, tudo o que me tornei depois que te conheci, e se suas lágrimas caem enquanto lê o que te digo, são só gotas de alegria e jamais de tristeza.
Se você nasceu de noite foi pra provar que seria, sim, a minha preta linda. Mas depois que você nasceu, o dia também nasceu e trouxe a certeza que depois da saudade vem o reencontro. Estou sempre te esperando, amor...
Você é minha Lua, e eu, seu Sol. Vivemos em mundos diferentes, mas a gente continua se esbarrando de vez em quando. Todo mundo precisa de nós e nós precisamos de todo mundo, mas além de todos, nós precisamos um do outro.
Quero que você se ponha em minha frente, quero que tudo se apague durante nosso amor, quero que todos só tenham olhos pra nós, parados encarando o céu que se faz diferente de repente...
Nós somos o eclipse que escurece e ilumina o céu, meu amor...

P.V. 11:20 24/10/09

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Apresentando Bello

E nem era só a chuva que caía levantando aquele saudoso cheiro de terra molhada; não eram os poucos pingos que conseguiam nos molhar de leve pra arrepiar o corpo; nem era a alta árvore que nos abrigava enquanto a noite tomava conta de tudo que estava em nossa volta; também não era a conspiração daquele vento que soprava tão forte, só pra que pudessemos nos abraçar mais chamando o calor. Era mais. Era bem mais que isso.
Só porque a Lua se escondia por trás de alguma nuvem, já no infinito do céu, temendo ver o que se desenrolava aqui no chão; só porque o prazer daquele momento era bem maior do que qualquer outra responsabilidade que houvesse para se realizar; só pelo medo saudável que um criador impõe na sua criatura pra que este não quebre as regras desenvolvidas na criação. A Lua, a faculdade e seu pai também ajudaram a fazer minha noite mais feliz.
Direi aos seus ouvidos somente as verdades que puderem sair da minha boca. À sua boca, nada direi, pois nosso talento substitui as palavras.
Existem bons beijos, beijos ótimos, e o nosso beijo. Sempre me disseram que a perfeição não existe, mas admito agora, enquanto minha caneta escorrega pelo papel, que a última noite me deixou com sérias dúvidas.
Ainda posso sentir seu gosto e seu corpo se fechar os olhos. Sem ver enxergo bem mais.
Era tão simples sentir seus lábios pela primeira vez que não pensei duas vezes em sair de casa pra chegar em você. Foram passos longos, medidos, todos dedicados a sua beleza exagerada.
E a simplicidade tornou-se tão complexa quando estávamos juntos pela primeira vez... mas meus desejos nunca conheceram qualquer tipo de razão e roubei de ti o que agora se faz meu.
Só vou lhe pedindo, encarecidamente, que saiba da fraqueza de meu sentimento, que me mastigue devagar, que me devore com fome, mas me deixe ao menos os ossos, que me beije sempre que quiser, que me use como seu, que me xingue, que me bata, que me ria seu sorriso tão lindo e único como eu jamais havia visto, que me chame; que me grite, por favor, pois de onde eu estiver, irei ao seu encontro, meu amor...
Antes que a Lua volte outra vez lembrarei do seu rosto e esse brilho nos olhos tão apertadinhos que me piscam sem saber.
Já sinto saudades de você...
P.V. 13:02 30/09/09

Uma velha edição pra um velho ditado


Avise ao império que seu presidente voltou.
Sei que um rei é o destinado a governar um império, mas essa colocação não me cabe ainda, pois não sou ditador nem faço regras. Nasci nesse meio e sou presidente, estou aqui pra
quebrar as regras.
Foi-me dado um título de grande importância e farei de tudo pra que nosso nome esteja sempre no alto, justamente no topo da cadeia alimentar, lá onde sempre deveria estar. Pois avise mais uma vez ao império que
seu presidente voltou.
Não perguntes a minha pessoa desde quando estive fora, não indague sobre possibilidades de uma fuga precoce, não se importe com detalhes que não fazem diferença, apenas avise ao império que
seu presidente voltou.
Não vá se escondendo dentro de casa, pois o refúgio do lar é inútil à minha vontade que sempre se fez plena em meu pleno coração. Estarei de olho em tudo que se move, em tudo que anda ou corre, pois no meu império tenho total controle e poder de ir e vir sobre o território que me pertence desde que estou de volta.
Avise o império que seu presidente voltou agora com mais força do que antes depois que o mar de lama atravessou sua vida de forma tão brusca a levar tudo que se encontrava em seu caminho, amores, tristezas, derrotas, alegrias, poderes falsos, amigos lentos, mulheres lindas... essa onda é a onda que representa o novo pensamento de um um novo modo de administração. Avise aos quatro cantos do império que seu presidente voltou e dessa vez ficará para toda a eternidade do infinito que separa os corações apaixonados.
Frente ao impossível, esse presidente que vos fala, tentará, pois na qualidade de líder, assume a posição de homem de frente nessa batalha que travamos desde que tenhamos a intenção de adentrar no campo minado da vida.
A pederastia do império é notável e única.
Venho afirmando só o que me importa, só o que importa aos meus vassalos, jogo o jogo jogado, com sorrisos de blefe estampados no meu rosto falso e mentiroso aos olhos de quem me crê. A batalha tem seu início assim que meus inimigos, todos, aceitarem a derrota previsível em suas vidas.
Entrarão pra perder, entrarei pra vencer.
Cairá por terra todo esse clamor de quererem dominar o que sempre foi meu, pois uma posse é dada a quem lhe merece por direito e capacidade assim como o presidente que vos fala. Acreditem no poder e estarão sempre erguidos na confiança depositada em minhas palavras e minhas atitudes no momento de defesa de nossa herança tão sagrada.
Tenho total certeza e absoluta razão em dizer, que quando tudo terminar, olharão para trás, mesmo vendo o sangue derramado, mesmo chorando as tristezas dos amigos perdidos, mesmo com a dor estampada em seus corações, olharão para trás e verão que sim, valeu a pena todo o esforço de uma vida em busca de um objetivo comum.
E se me virem ao chão, camuflado de vermelho, em meio ao sangue de meus inimigos, deixem-me lá. Pois ainda terei sede pra saciar minha vontade nesse solo molhado de rubra paixão.
Elas são todas iguais, sempre perderão a batalha para seu presidente.
E não deixe que temam, avisem ao império que seu presidente está de volta.
O poder da conquista está conosco.
P.V. 18:17 21/10/09

A contradição de Fênix

Eu até sei que se for de minha vontade consigo o que tanto quero, tudo que ainda fico olhando e admirando, sonhando se um dia eu poderia ser feliz com tamanha beleza ao lado meu. Sei que se for de minha vontade eu posso levantar e ir atrás disso que me deixaria um pouco mais feliz do que sou agora só pra saciar essa vontade ou esse desejo que me acomete... coisas de tesão mesmo.
Mas fico por aqui, sem nem saber porque...
Vou imaginar então.
Por vezes nessa minha vida eu já pensei em mudar totalmente o rumo que minhas idéias tomavam em determinado período específico da história. Alguns eventos me fazem pensar mais do que antes e então tomo atitudes drásticas das quais me arrependo ou não num futuro bem próximo. E isso já se tornou uma constante, o que me irrita demais. Tudo que se repete me irrita.
Tenho um álbum de figurinhas incompleto. Mas, a partir desse momento, depois que minha mãe chegar em casa com pacotinhos e eu abrí-los, as figurinhas que já estiverem lá coladas serão jogadas na lata do lixo. Só ficarão por aqui as figurinhas que ainda não estiverem seu devido local no meu álbum. E acrescento, algumas das figurinhas que já estiverem coladas, ainda tem alguma significação e conteúdo pra oferecer ao meu álbum, por isso, essas ainda poderão ser aceitas até que o melhor delas seja extraído em favor da revista.
Entendam como o puro sentido das palavras, minhas dissertações estão totalmente fora do que se costumou chamar ironia ou duplo sentido.
É, de fato, uma atitude drástica, não se pode negar...
Cansei de toda a falta de beleza, de toda imperfeição, de toda falta de assunto, de toda a baboseira diária de ferramentas eletrônicas e modernas, cansei de quantidade sem qualidade, mas não cansei de quantidade, estou farto de falsas promessas e mentiras exageradas que meu sentimento vive gritando aos sete cantos do destino, já chega do que passou, já chega do que é fácil, já chega de pensar em querer de novo o que não me dava plenitude total de felicidade.
O amigo Platão deixou seu legado e sabia o que dizer ao afirmar que a verdade estava no diálogo. É justamente na conversa que se esconde o que mais se procura. Cansei de andar sem rumo e adentrar nas intimidades alheias sem ao menos saber o nome de quem já estou dentro. Afirmo aqui que o prazer momentâneo não se compara com a eterna felicidade por mais que me traga sim alguma alegria e contentamento. O prazer momentâneo é de momento, mas deixa registradas histórias que viverão pra sempre no infinito da nossa imortalidade. A eterna felicidade é a eterna felicidade.
Mas, apesar de tudo, ainda sei que acordarei amanhã da mesma maneira que acordei ontem. Foi só uma coisa de beleza exagerada e pueril que se pôs em minha frente e me faz lembrar que tudo me pertence, mas não me desequilibra. É engraçado saber que a contradição é a mais bela das idéias que posso ter, pois me vem agora à mente que algumas figurinhas já coladas em meu álbum me desequilibrariam tanto de uma forma que jamais outra figurinha ainda mais colorida e cara poderia.
Essa drasticidade de minhas prováveis atitudes me faz nascer de novo como a Fênix que brota das cinzas de sua própria morte, enterrada em suas derrotas e tristezas acumuladas nas falsas alegrias que viveu enquanto batiam ainda suas asas...
Quando batiam a asa, eu já pensava em renascer...
P.V. 20:49 19/10/09

sábado, 17 de outubro de 2009

Bastidores

Veja que não vale mesmo a pena se deixar levar por algo que não te dará futuro algum. Entendi uma vez, em minha curta vida, que um Cara lá em cima dita as regras e nos dá o tempo que é tão precioso, maior tesouro que podemos ganhar, e esse tempo corre tão rápido que nada é mais importante que ele, pois em seu fim nada mais restará a não ser o pó de nossas entranhas apodrecidas enterradas em algum buraco ao lado de outras entranhas apodrecidas das pessoas que jamais conhecemos e nem conheceremos, afinal, ao cruzar a linha da morte, mortos estaremos.
E se deixamos correr esse tempo ao lado de quem não tem valor algum em nossos corações, então que merda estamos fazendo de nossas vidas? Sabia que tudo era bem simples, mas não tinha oportunidade de colocar o que penso no papel, talvez pela idéia do primeiro parágrafo, talvez pela provável idéia do próximo parágrafo, mas quem sabe as letras e as palavras não digam nada e somente as atitudes drásticas que temos que tomar em algumas ocasiões sejam as mais claras formas de se expressar quando a necessidade nos obriga a levantar a cabeça e encarar nossos desafios...?
E ainda pensam que sofro por amor? Tenho minhas teses todas formadas com relação ao sentimento vermelho que nos faz tão felizes e tão tristes ao mesmo tempo. Claro que sei separar as boas das más intenções que vão sendo lançadas aos milhões em cima de mim, mas se for pra escolher, prefiro a neutralidade. Time que está ganhando até pode ser mexido pra aumentar o placar, porém a mínima diferença a favor também nos dá a vitória. Fui em busca do que era meu e consegui trazer de volta pra casa, debaixo do braço, os louros do sucesso. E ainda tenho tempo de ensinar a quem me segue...
Há quem me negue a verdade quando digo também das variedades amorosas perdidas por aí. Sou desses que não acredito na exclusividade do amor e, talvez, até já tenha gritado isso no ouvido de 'alguéns'. Sei que aquele mesmo Cara lá de cima que nos dá o poder do tempo, também nos dá o poder de transmitir alegria e felicidade a quem nos rodeia, a quem precisa tanto. E nasci eu, todo prosa com minhas palavras fofinhas e beijos quentes. Se nessa esquina eu tenho amor pra dar, na próxima eu também tenho, e se virar aquela rua, vou ter mais amor pra entregar, pois sei que brotará um sorriso em cada esquina, um sentimento exagerado de felicidade em cada esquina, serão três esquinas bem mais felizes agora do que antes de eu ter passado. E Deus fica feliz por isso, eu acho...
São segredos revelados, coisas dessas que todos sabem, todos tem total noção de que aconteçam, mas talvez esforcem-se por não querer acreditar na crueza perfeita de algo que sempre disseram ser sagrado. E esses jovens de hoje em dia, tão jovens quanto eu ou mais, são a mais pura forma de amor que eu venho dissertando há tanto tempo, esses jovens perdidos nos bailes, esses jovens perdidos nas micaretas, nas escolas públicas e particulares, perdidos nas praias, alguns nos empregos, esses jovens, tão meus amigos, são o reflexo do espelho que se põe em frente ao quadro da pederastia perfeita que é o amor do século XXI. Não sei quem pintou, não sei quem deu início ao movimento, mas admito que compraria ingressos pra admirar essa exposição, a qual espero sinceramente que jamais chegue ao fim.
Fica tão chato quando acendemos uma lanterna em cima de todos os cantos escuros que ainda se escondiam no infinito de nossas mentes que já cheguei a conjeturar sobre a totalidade da sabedoria de tudo isso. E fiquei feliz porque cada dia que nasce ou morre, é notório que tudo é tanta coisa que jamais conseguirei entender o universo do amor, ou das mulheres, ou mesmo o meu.
Era uma situação bem assim, cantada numa música, interpretada muito bem por mim nas noites mais alcoólatras que podem me aconchegar no travesseiro da Lua, amante maior das minhas palavras, inspiração mais forte dos meus casos de amor. O rapaz, transvestido em uma personagem que desconheço, um moço simples de puro coração ou uma donzela virgem e recatada que sempre viveu em busca do seu grande amor, aquele que pisa num sentimento dedicado a lhe amar. Justamente o que a gente vê todos os dias, nessas esquinas que eu passo...
Cantava, tinha uma profissão, era num cabaré, com homens bêbados e febris, platéia difícil, trabalho difícil, uma verdadeira batalha onde se perdia ainda mais a vontade de viver quando o amor de sua vida ia partindo pra longe sem que pudesse ficar uma explicação ao menos. Os sensíveis possuem olhos dos quais rolam lágrimas sempre que uma emoção mais forte lhes acomete e só isso resta quando as paredes são a única companhia de uma noite, quando o camarim lhe diz que mesmo com a dor no peito você deverá subir as escadas do palco e cantar o que deve cantar. Chorou até ficar com dó de si. São opções de saída que se encontram quando se abre uma garrafa de Gim, um copo, um gelo e sua garganta. Parece que tudo se perde, tudo se esquece naquele momento e podemos então dar sequência aos fatos que sucedem ao sofrimento. Mas tudo é passageiro, menos o oitavo... Roupas, brilhos, intenções, palavras soltas num ar cheio do perfume exagerado e então sobe-se no palco pra gritar a dor que deveras sente. Quando tudo se pensa estar correndo da forma mais correta que se espera, eis que aquele que é dono da sua penitência, aquele que lhe enfia a faca dentro do peito a todo instante, aquele que tu amas com toda a intensidade, aquele que jurara viver toda a vida está la sentado em uma das mesas do cabaré a caçoar de sua apresentação. Chora?? Corre...
E entra em casa só pra ter certeza que não mais irá ver o rosto de quem mais lhe machucou em toda a vida. Sabemos de cor que a dor física não se compara à dor do sentimento e ainda assim somos doentes por querer apanhar sempre da vida. Mas joga-se tudo fora, queimam-se as lembranças, exorciza-se o demônio que entraste em tua vida sem que desse a permissão. O primeiro passo para a libertação é esticar a perna. E assim será.
Volta e canta, canta mais alto que antes! Todo o cabaré lhe aplaude de pé quando chega ao fim. E corre pra dentro de casa de novo, dessa vez com um sorriso no rosto por saber que a escada dessa vez só tem degraus pra cima, aquela que descia já não está lá dentro, foi exorcizada pelo sentimento maior que vive dentro de cada coração; a vontade de ser feliz é maior do que a de ser triste.
E canta de novo, canta mais, cante como sempre cantou! Jamais cantou tão lindo assim, os homens lá pedindo bis, bêbados e febris a se rasgar por ti...
Corre?? Chora...
P.V. 10:29 17/10/09

Ausência de razão??

“Vou rasgar dinheiro, tacar fogo nele, só pra variar...”

Pois eu ia bem tranqüilo sem qualquer tipo de pudor quando me surgiu um maluco. Incrédulo, perguntei: “Tu é maluco?” E o maluco: “Claro que não!!”
Mastigava um pedaço de papel rosa e tentava fazer bolas assoprando com a boca. E ria loucamente olhando para mim enquanto procurava as letras do último livro que lera perdidas nos fios de cabelo de sua axila esquerda. Sentou com a mão por baixo das nádegas pois queria sentir um tal formigamento agradável após prender a corrente sanguínea. Disse-me que ia cantar um bolero pois já começava a ver em meu rosto um previsível tédio que lhe irritava e foi gritando um hit de Cláudia Leitte; qualquer coisa como o que mais se queria era beijar na boca e algumas bolhas de sabão. Como soltei gargalhadas depois de sua apresentação com direito a coreografias pré-ensaiadas, tomou um pouco mais de coragem e surpreendeu-me ao subir no alto de uma árvore gemendo falsos miados e pedindo que um bombeiro lhe salvasse dizendo que em troca devolveria o nariz roubado de Michael Jackson; um resgate justo. Eram altas horas da noite e concluiu, são, que a essa hora o corpo de bombeiros não funciona e seus funcionários estavam dormindo; desceu da copa da árvore e foi catando pelo chão as últimas novidades que sua vida havia lhe proporcionado. Não achava nada e me pediu para que lhe ajudasse em tal empreitada. Viu ali o nascimento de uma sobrinha, acariciou-lhe o rosto; achou mais perto de seu pé o último jogo do Botafogo e a provável derrota, xingou alguns palavrões; por fim achou o que mais lhe agradou, as Olímpiadas Rio 2016; mas, logo ficou decepcionado ao lembrar que por ser no Rio, somente seriam esportes aquáticos. O rapaz já não sabia mais a direção de sua vida e me olhava com olhos tão questionadores que por um momento senti medo do que poderia estar escondido atrás de suas intenções. De súbito, gritou em minha direção:
__ Foi tu que desvirginou minha filha, seu maldito!
__ Claro que não. Nem conheço sua filha...
E acalmou-se pedindo-me desculpas. Foi só um súbito acesso de estranheza em sua mente por ter visto perdido no chão o cabaço da menina. Ouviu o som da chuva e correu por buscar seu bronzeador, mas antes que pudesse dar partida nas pernas lembrei-lhe que a noite já era dona do lugar e o Sol não poderia lhe queimar a pele. Resolvi abrir meu guarda-chuva e ele disse que minha antena parabólica estava invertida do lado errado. Sacou seu MP22 do bolso, conectou um cabo USB no meu guarda-chuva e sentiu-se feliz dizendo que, mesmo com a antena invertida, o sinal era muito bom. Foi me dizendo da vida dura que sempre levou, por onde andou, esse preconceito bobo que as pessoas têm, essa inveja exagerada de quem possui um pouco mais de inteligência, e chorava em meus ombros como uma criança, rogava pragas das mais cruéis em todos aqueles que já riram de sua cara e ele não sabia porque. Acalmei-lhe dizendo que em algumas ocasiões as pessoas também riam da minha cara e ele começou a me chamar de idiota porque riam de mim. Ficou feliz e isso já me deixava satisfeito.
Queria comprar um presente pra mim e abriu sua carteira, mas as notas estavam todas cortadas ao meio; explicou-me que tinha notas de 10 reais, mas queria gastar só 5, e rasgava ao meio pra conseguir êxito em sua empreitada. Nem sabia muito bem o que me dar de presente, mas já me considerava um pai por tê-lo acolhido tão bem assim no meio da noite. Disse-lhe que nada era preciso, apenas a amizade de uma pessoa tão especial me fazia feliz. Ao chamá-lo de especial encheu o peito de cólera, ódio e rancor e saiu correndo xingando-me dos nomes mais terríveis que existem no vocabulário dos palavrões. Fiquei lá em pé admirando aquela cena tão imprevisível, acendi um cigarro e pensei para mim:
__ Um rapaz tão bom... e ainda cheguei a pensar que era louco...
P.V. 09:42 17/10/09

Asa de Pomba

Penso que talvez fosse melhor me retirar por alguns dias num templo budista, ou num internato de seminaristas, quem sabe um monastério, viajar para as altas montanhas do Himalaia, passar noites sentado em cima de tumbas em cemitérios dando mais valor ao significado do silêncio e a paz interior que todo homem persegue. Devemos pelo menos uma vez na vida parar e pensar sobre tudo que vem acontecendo, agradecer aos céus por toda a dádiva enviada, todo o prazer que ainda há de nascer e isso só se faz no infinito de um só, sozinho, isolado, longe de todo o barulho que promete acometer nossos ouvidos alguns dias depois.
A semana que antecede a festa do amor é cheia de dúvidas e todas essas interrogações podem cansar minha beleza. Por isso me resguardo de toda maldade que há no mundo pra que o coração esteja totalmente livre de qualquer tipo de ódio e rancor. Um coração livre e desimpedido é um coração que será bem recebido aos braços daquelas que estarão lá me esperando, soltas e serelepes...
Há muitas tarefas a serem realizadas e os contatos já estão sendo feitos com o intuito de levar alegria aos corações dos membros dessa tão formosa união que já começa a enxergar motivos para crescer. Não que a dupla titular de presidente e vice não esteja dando conta do recado. O fato é que a maior quantidade de conhecedores das histórias pode perpetuar ainda mais o nome da instituição no futuro. Tenho minhas intenções de fazer filhos, procriar, elevar ao máximo a prole e ficaria muito feliz se meus meninos soubessem de toda a devassidão que fiz enquanto jovem, quero ver o brilho nos olhos de meu moleque dizendo que seria um orgulho ser assim quando crescesse. Já me emociono desde já...
Mas admito que sozinho ou acompanhado, partirei rumo à felicidade nesse domingo glorioso que está pra chegar. E deixo estar, pendente em minas mãos, o suco das uvas amassadas pelos pés das mais belas camponesas de Portugal, da Itália ou aqui da favela mesmo. Vou virando minha garrafa no sentimento egoísta de não dividir com nin
guém a não ser eu mesmo. E se for de minha vontade correrei desvairado e louco com a felicidade plena sufocando-me os pulmões. Se for de minha vontade perderei a língua no maior número de bocas possível, as que estiverem perto ou longe. Se for de minha vontade, gritarei que amo sem pudores aquelas que jamais vi em toda a vida só pra corresponder às expecitativas do meu coração tão inútil dentro do peito.
Vejo com bons olhos uma pomba branca que vem batendo suas longas asas, como fossem asas de águia, simbolizando a paz do amor nessa festa da carne. Essa pomba está disfarçada só pra nos passar a clareza que deveria já estar exposta em nossos olhos, mas não me iludo; acredito em mim e nos companheiros sem que as palavras ou canções influenciem em nossas decisões. Na verdade nem conhecemos o que irão cantar, estaremos de costas pro palco, olhos fixos no que mais importa ao nosso sentimento.
Que a esperança esteja ao lado dos amigos no próximo domingo assim que os portões se abrirem lá no templo maior da paixão. E se vierem feias, aceitaremos. Se vierem gordas, aceitaremos. Afirmo pelos meus amigos que aceitaremos, nem que tenhamos que esgotar o estoque de tequilas do evento embriagando nossa mente e cegando nos olhos.
Aguardo ansioso o Sol nascer por trás das nuvens no domingo que vem pois justamente no momento em que ele morrer, a Lua será a parteira que me dará a luz.
P.V. 10:02 14/10/09