sexta-feira, 30 de abril de 2010

Aos retalhos

Desde os retalhos de cetim que ficaram jogados pelo chão naquele fatídico sábado de carnaval, o tempo dos amantes, ou quem sabe, diga lá, o tempo dos que estão preparados para se tornarem amantes, fico remexendo em meu passado, elaborando teses, pensando hipóteses, me apaixonando dia após dia pelos seus beijos esquecidos. O amor de um só é suficiente para valer por dois? Claro que não, mas se me pedissem eu viveria a vida inteira com essa falácia, eu viveria essa mentira com toda a felicidade, eu amaria por dois se ela me pedisse, talvez amasse por três também. Meu coração é grande, sempre foi.
Sei que durante o Carnaval ela não desfilou para mim, mas as lágrimas não correram na avenida, as lágrimas até esse instante não caíram pelo meu rosto, nem devem cair por um bom tempo enquanto ainda me fizer dono de mim, dono do meu sentimento que já vai passando para suas mãos. Não há nessa vida, ainda não foi criado, talvez, alguma coisa mais importante, uma moça, uma mulher, uma lady que possa me desviar do foco de Durique. Minha cabrocha não promete nada, e nada cumpre. Se caírem lágrimas, o chão estará lá para agasalhá-las...
Eu sonho, sou verso, sou terra, sou Sol...
Meus terríveis momentos não fazem mais parte do que eu represento agora; eu deito, eu durmo, eu penso, ela aparece, eu sorrio, eu acordo e tudo se repete. Nada mais me agrada, nada mais me apetece, não imagino mais aquilo que imaginava, sempre que viajo, ela está do meu lado, sempre que fecho os olhos, vejo alguém comigo nas minhas aventuras, já não ando sozinho, ando de mãos dadas, e sou sonhador...
Sou verso, minhas poesias estranhas, minhas palavras mal escritas, minha voz solta na noite, no dia, na tarde, aos seus ouvidos, algumas prosas dizem bem mais do que eu gostaria de dizer, e talvez umas outras venham lhe dizer o que eu tanto já quero falar, mas ainda temo pela veracidade da expressão famosa... sou verso, sou palavra, sou voz, sou seu, sou de mais ninguém a não ser dessa moça que passa, que vai e que volta, que anda, que não corre, que sempre tem uma letra, um beijo, o mesmo olhar...
Sou chão, já não saio do lugar, talvez eu dance, talvez eu caia, talvez eu fique por aqui olhando, talvez eu a siga pelos cantos escuros que o destino nos reservou e em algumas ocasiões eu chegue à conclusão de que não há mais nada escrito, de que o dono da caneta maior sou eu mesmo, e Deus, que ia escrevendo certo em linhas tortas, já largou mão de um sentimento tão grande, já não se mete por aqui e deixa que as crianças sejam felizes da melhor forma que encontrarem.
Sou Sol... mas prefiro a Lua.
Deve ser o tal romance, deve ser o tal eclipse, deve ser qualquer coisa parecida com dormir de madrugada e acordar pela manhã, deve ser a comunhão eterna das luzes e tudo mais que diz respeito à vida a dois.
Já se foi o Carnaval, já se foi a Páscoa passada, já se foi essa Páscoa, já se foi tanta coisa e nada mudou. Pensam, os que se dão a esse trabalho, que a evolução ocorreu, que o presidente alcançou êxito, que o amor chegou, que o Cupido, eterno cretino, jogou seu veneno em dois jovens no alto da juventude, mas não. Nada acontece, nada muda, nada se torna estável, a vida continua correndo e minha mão não pára.
Dizem por aí, então, alguns dos poucos sábios que ainda me acompanham, alguns dos que ainda me confiam segredos, os poucos em quem ainda posso acreditar, pois das suas palavras nascem grandes verdades. Dizem esses homens, algumas mulheres que o poder está nas mãos de quem merece, dizem também que o poder maior traz uma maior responsabilidade, dizem outros que a luta termina quando se levanta o ouro da vitória, dizem que a batalha só chega ao fim quando o inimigo se rende.
Nada mais verdadeiro; tudo isso afirma ainda mais o que digo, nada mais ratifica tanto o que sempre disse. Não vejo poder, não vejo maior responsabilidade, não vejo lutas, nem guerras, nem batalhas, nem inimigos... Vejo sentimento.
E o abstrato se faz tão concreto dentro de nós... ou dentro de mim.
Quero saber algumas coisas, quero ter certeza de umas outras, justamente por isso me nego a soltar o que está por fora, me nego a entender alguns olhares e outras palavras, não faço questão alguma de mergulhar, pois tenho algumas dúvidas sobre a quantidade de água que está lá dentro e só mergulho nessa piscina se for de olhos fechados, só saio do chão se for pra voar bem alto, só solto minhas asas se puder confiar que vou cair nos seus braços...
Já está ficando tudo tão banal, já passa como se nada acontecesse, já não entendo muito do que digo, o mesmo entendimento de antes parece meio distante agora, por isso afirmo que os retalhos de cetim daquele carnaval continuam aqui no meu chão jogados, umas poucas tiras que já se foram, porém a imensa maioria deitada no leito do meu coração que eu costumo chamar de chão, talvez por estar ainda um pouco sujo...
É tempo de limpeza, a grande verdade é essa, doa a quem doer...
Divulguei alguns fatos, fiz por merecer todas as verdades, sei que fiz sofrer. Doeu em mim algumas dores, sangrou um pouco meus secos olhos, sei que também sofri. Alguns momentos na vida de um homem necessitam de atitudes drásticas como já foi abordado num outro tempo, e nunca se vai de mim essa idéia fixa. E Deus que te livre, caro leitor, de uma idéia fixa. Se um Machado derruba árvores, eu também posso desmatar.
Faço rodeios imensos pra chegar num ponto só. Faço loucuras por algo que desejo ao máximo. Perco tudo que tenho pra ganhar uma coisa que não vale nem um terço de tudo que fora perdido. Mas tenho histórias boas pra contar por conta de tudo isso...
No fim, tudo se equivale.
E a verdade é que já não sei o que seria de mim, mas também não sei o que seria dela..
P.V. 17:01 30/04/10

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Aposentadoria

Vai lá um presidente em decadência, vai lá o homem que foi, um dia, dono das conquistas, rei de seu tempo, senhor das mulheres, vai um presidente que ainda dá as cartas numa mesa jogada num canto qualquer do destino, vai um homem, mais de duas décadas de histórias ganhadas, jamais perdidas, vai um presidente de uma união de conquistadores que deixou marcas inesquecíveis no coração de muitas e agora se esforça ao máximo para estar por toda a eternidade dentro do coração de uma só, uma única mulher que sozinha vale por todas as outras que vieram antes, uma única mulher que só se faz primeira dama porque o homem se fez presidente, uma única mulher que só pôde ser sua mulher depois de ter conhecido todas as outras.
Penduro as cuecas.
Tiro meu time de campo.
Deixo de lado o passado pra assumir o presente e o futuro.
Nossa, as cores são tão mais fortes a partir de agora, vejo com olhos tão diferentes as coisas que via antes, acho menos graça nas bobeiras, grito bobeiras mais engraçadas, sou feliz...
E a sociedade perde um líder, a sociedade deixa de lado agora um homem que dedicou sua vida ao ensinamento do amor, um guerreiro jogado à margem, marginalizado, bandido, criminoso, feliz encarcerado na cela do amor de sua mulher.
A coroa vai repousar em outros leitos, a vida de rei, a verdade da presidência continuará como uma faixa pendurada no peito que não sai jamais, amarela, apodrece, entra na pele, morre no coração...
Penduro as cuecas, a partir do vigésimo quinto dia do quarto mês desse ano que inicia uma nova década, dois milênios após a morte de Cristo, meu brother...
Nunca pensei em escrever esse tipo de coisa, admito, mas nesses últimos tempos em que a vida se virou para mim e pediu para ser degustada, nada mais me surpreende, nem o sentimento crescendo dentro do meu peito, nem a carteira vomitando no meu bolso, nem meu time que já é o melhor do mundo, nem meus amigos que se fazem os melhores a cada dia que passa, nem a felicidade extrema que meu sorriso sorri sempre que lembra disso tudo junto, sempre que vive isso tudo junto.
Foi-se a poligamia, foi-se embora para bem longe todas as palavras estranhas, foi-se lá pra trás aquilo que eu fazia de mal, vieram as boas intenções, a monogamia, a pederastia de um, o sentimento intenso, quero ainda a noite, mas volto de mãos dadas, quero ainda o ritmo louco do funk, mas desço e subo com ela, quero ainda o erro e a irresponsabilidade da juventude, mas divido a culpa com ela...
Diga lá então por que se vai um presidente que pendurou as cuecas, por que entristecem os cantores, por que emudecem os prosadores, por que derrubam lágrimas os apaixonados, se nada há de mudar se não para melhor...?
Vejam meu sorriso, vejam como estou feliz, como estou feliz de uma forma que nunca estive, vejam que a vida vai andando mais devagar agora, nada corre, tudo é tempo, o tempo é tudo, a moça mais bonita pertence ao homem mais feliz e desejo em dobro a quem me crê...
Penduro as cuecas por tempo indeterminado, com altas probabilidades de eternidade.
P.V. 17:50 28/04/10

Ode à Durique


Não quero lhe contar, meu grande amor
Sobre nada do que não lhe diga respeito
Sobre nada que não lhe interesse
Sobre as dores que carrego no peito
As mesmas que sei que também não esquece

Só vou lhe dizer, minha princesa
Um amor
E esse amor não poderia ser outro
Que não fosse você.

As coisas dessa vida são pequenas
Pequenas demais.
Diz-se do sentimento, da saudade, da dor
Até mesmo da paz.

Quero sentimentos maiores
Do que um dia eu poderia pedir a alguém.
Quero um amor verdadeiro e sincero
E acho que só você o tem.

Minha voz ainda tem força, mas não engana
Minhas palavras são as armas que levo na mão
Meu amor sente saudade durante a semana
E no seu fim dá lugar à intensa paixão

Ode ao meu amor,
Ode ao que tenho de melhor
Ode ao que sobrou de mim
Ode a quem não mais se sente só
Ode ao não e ode ao sim
Ode à Durique...

Passei andando pelo vale do amor
Um copo pela metade no chão,
Por dentro, vinho
Era eu que estava pela metade
Perdido em vão.
Agora me sinto completo
Havia Durique no meu caminho.

P.V. 16:58 28/04/10

Nos braços de Morfeu

Assim disse Raul: “Eu que já andei pelos quatro cantos do mundo procurando, foi justamente num sonho que Ele me falou...”
Esse tal de Raul fica inventando cada coisa...
Nos meus sonhos mais profundos quase nada é dito, na verdade vejo algumas coisas bem interessantes. Ainda não percebi Deus dando uma aparecida e me dizendo verdades, até mesmo porque se Ele der as caras vai me dar um monte de esporros pelas coisas erradas que já fiz, vai me dar os parabéns pelas coisas boas que estou fazendo, vai me elogiar pelas minhas vitórias... e que ridículo seria, justamente se foi Ele que me deu tudo isso.
Não quero sonhar essas coisas não.
Certas noites jogo minha cabeça no travesseiro pensando em coisas indecentes pra ver se o sono me traz pederastias... Vocês que me perdoem, a sociedade já sabe, o mundo já entendeu, eu sou safado. Quero todos os sonhos impossíveis e incríveis, quero realizar cada um deles. Foi-se um tempo em que minha intenção era realmente inovar e atualizar um pouco mais o tal do Kamasutra, mas pra conseguir êxito nesse feito eu precisaria de muitas experiências. Atualmente, e espero que continue assim, existe uma primeira dama na vida do presidente e tais coisas já não podem ser executadas como antes. Mas não vejam como pior a situação. A tendência é melhorar. A prática leva à perfeição, leva ao delírio, leva aos olhos virados, aos orgasmos múltiplos...
Fui lá conversar com Morfeu. Se suas inteligências pequenas não conhecem a fama deste deus, eu explico, afinal trabalho mais interessante do que passar o conhecimento não existe. Ainda me gritam como humilde... Morfeu era o deus grego do sonho e acho que ainda deve ser porque uma vez me disseram que deuses não morrem. Morfeu é tão foda que consegue assumir qualquer forma humana e adentrar no pensamento das pessoas durante a noite pra se fazer como a pessoa amada, por exemplo, pra se fazer como um pesadelo, talvez. A droga Morfina também vem de Morfeu.
Tá... depois do momento cultura, depois de explanar os conhecimentos básicos de um acadêmico de Letras que não tem nada a ver com história grega e qualquer coisa de deuses, vou falando mais uma vez no pensamento que estava seguindo ali em cima.
Minha maior felicidade é dormir nos braços de Morfeu, é morrer e acordar depois com todas as possibilidades descobertas durante a noite, durante a tarde, durante a manhã também, por que não..?
Mas Deus fez as pessoas tão bonitas e carentes que dormir sozinho é quase um pecado perante o Pai. Um sonho que se sonha junto é mais fácil de virar realidade, um sonho a dois, um sonho colado, um amor pra se recordar quando acordar, um beijo molhado durante a noite vai ecoar nas 24 horas do próximo dia.
Por isso que eu fui lá conversar com Morfeu, fui pedir encarecidamente que me desse alguns bons sonhos, que me desse também alguém que deitasse do meu lado, alguém que eu pudesse chamar de minha, alguém que não tivesse medo de ser minha, alguém que eu pudesse olhar nos olhos e dizer o quanto era bom estar ali, sem nada mais falar, sem usar palavras para mostrar um sentimento...
Tomara que esse viado desse Morfeu tenha me ouvido.
P.V. 11:27 28/04/10

terça-feira, 27 de abril de 2010

Meu garoto

Cris... talvez seja esse mesmo o nome da mulher mais importante da minha vida, talvez eu não a chame assim nos momentos em que for preciso mostrar autoridade em sua educação, que seja Cristina, então. Mas um pai bobo já nasceu tanto tempo antes da sua filha, o que fazer...?
Dizem também que pode ser que venha um menino. Garoto esperto, flamenguista, bonito como o pai, lindo como a mãe, futuro presidente da futura UCM. Minha felicidade seria equivalente, minha felicidade sempre vai ser a mesma. Talvez eu não tenha uma música para cantar quando ele quiser dormir, talvez eu não faça todas as suas vontades como um pai trata sua filha, talvez eu não sinta os prováveis ciúmes de um primeiro namorado, e Deus me livre que ele tenha um primeiro namorado, mas com certeza será meu filhão, me levará pro Maracanã no seu primeiro carro, pagará chopp pro pai no shopping com os amigos que serão meus amigos também, andará com orgulho de ser filho meu, e meus olhos molhados com o orgulho de ter feito um filho bom.
Quero
meu garoto esperto, quero meu filho do meu lado, quero curtir a fase do crescimento, quero chegar em casa com doces nos bolsos e ele, louco de saudade, pular no meu colo com a mão pedindo bala, pirulito e tudo mais que tem muito açúcar e faz as crianças super felizes. Quero sair de casa com vontade de voltar só pra poder brincar, como se fosse ainda mais criança que ele, quero voltar pra casa com saudade do meu filho bom, quero apertar, quero morder, quero jogar ele pro alto, mas não tão forte que bata no teto, quero roupas miudinhas que ficam lindas em bebês lindos como o meu filho vai ser.
Tomara que Deus faça com que ele puxe a mãe...
E a mãe, uma boba.
Linda boba que já vou moldando desde já. Achar uma mulher não significa nada, achar uma mulher nessa minha idade só é a preparação justa para um filho lindo no futuro. Se Durique não enjoar de minha cara gorda até o dia em que a camisinha fure ou até o dia em que a tal injeção não funcione corretamente, ótimo. Filhos lindos nascerão...
Meu garoto, safado que nem o pai, fazendo a revolução na escola, arrastando no chão corações apaixonados, eternizando seu nome no peito de algumas das meninas mais lindas que tiverem o prazer de lhe conhecer, tudo ensinamento do pai.
É bem certo que não faço mais esse tipo de coisa, mas é que nem andar de bicicleta, filhão. Vai ler isso um dia e me dizer o quão careta eu sou, e talvez reclame dos erros, e talvez nem faça nada do que eu ensinar. Vai ser bobo porque sua mãe é uma boba e vai pensar que certas coisas assim não devem ser feitas. Existem mulheres e mulheres, meu filho. Acredite no seu velho pai, olhe nos meus olhos e veja quanta coisa eu já vi, tanta coisa que você nem imaginaria. Mas é tudo fruto da felicidade, é tudo resultado do sentimento, meu filho.
Levanta daí...
Sai desse computador, vá ler um livro.
Vá arrumar uma namoradinha. Dê orgulho ao seu pai.
Te amo, moleque...
Meu Perizinho...
P.V. 17:27 27/04/10

Discurso para ela

Não se deve negar a possibilidade de, um dia, a mulher que se fez dona de sua vida por alguns instantes abra os olhos e enxergue, de uma vez por todas, o que estava bem em frente ao seu nariz, rosa, quase como o de um porquinho lindo. E ninguém nem sequer conseguiria acreditar em tal hipótese, pois, loucos, não sabem um terço do que a paixão faz com a pessoa, e um dia, espero eu, irão também se apaixonar e deixar estar todo o sentimento que lhes permeia o coração.
“Bom dia a todos, meu nome é Paulo Victor, estou feliz de estar aqui com vocês dividindo esse momento especial, mas ontem uma linda mulher me pediu em namoro, bem no meio de uma multidão, bem no instante em que a Lua crescia no céu no alto a brilhar, na esquina da mesma rua que foi palco do nosso primeiro encontro um ano atrás. Estão, todos os senhores e senhoras, convidados para a cerimônia do casamento daqui a algum tempo, não muito, quem sabe na praia, quem sabe numa igreja distante, de branco numa sexta feira ou não, de havaianas e blusão num fim de tarde, talvez, o certo não se faz importante. Meu amor será dedicado exclusivamente a ela. Meus melhores beijos, meus melhores sorrisos, minhas melhores conversas, minhas melhores palavras, meus melhores momentos. A quantidade de merda que comi não foi suficiente...
Saibam, senhores e senhoras, que não há nada melhor na vida de um homem do que encarar a responsabilidade de um trabalho árduo, mesmo com a ressaca lhe corroendo a cabeça, sabendo que se tem ao seu lado uma linda mulher, uma bela mulher, uma mulher que ainda é perfeita aos meus olhos e ao meu sentimento. Talvez fosse melhor, amigos, que ela me acordasse com beijos me lembrando do trabalho, talvez fosse melhor se eu saísse e tivesse a certeza que ela estivesse lá ainda, dormindo, um anjo em sono profundo, seria tão bom se ela estivesse também me esperando quando eu voltasse. Tudo isso é muita coisa, mas aquele pouco de saber que Karoline Durique é minha já me satisfaz em demasia. Sim, senhores, o nome dela é Karoline Durique. Eu chamo de Durique, pois acho tão perfeito quanto ela... tão único quanto ela, o mesmo impacto da minha voz gritando seu nome é o impacto do seu sorriso no meu sentimento.
Mas não é o momento certo de ficar arrastando minhas palavras de paixão aos seus ouvidos, sabemos todos que o dia é importante na vida profissional de cada um aqui. O problema é que caiu na minha mão esse microfone e não há nada mais importante para mim agora, nem esse crachá pendurado, nem esse auditório lotado, nem a profissão que me foi dada, do que a ciência de ser feliz ao lado de quem mais se gosta...
Os senhores e as senhoras, que tenham um belo dia, que sejam felizes, se não tanto, mas pelo menos a metade do que eu sou agora. Só isso, com certeza, já seria muito para a maioria de vocês. Sento-me, então, pra dar mais uma vez chance aos pensamentos que voem na direção de minha Durique, minha namorada, meu amor...”

E as moças ensandecidas, loucas, intensas, as lágrimas caindo copiosamente, as palmas por todo lado, a emoção dos palestrantes, a falta de vontade de qualquer outra palavra de quem se seguia a falar, os homens emocionados reconhecendo o amor sincero de um outro homem tal como eles que um dia já esteve do lado da perversão com várias e agora quer a perversão só com uma, e decretou-se silêncio, e decretou-se paz, e o mundo girou devagar, e o sentimento nasceu no coração da sociedade, e não houve mais violência, e a fome acabou, e o Lula disse que seria feriado, e não há mais apocalipse, o fim das guerras, o planeta em paz, a destruição da natureza virou passado, os amigos não brigam mais, voltaram a se falar, a distância não existiu mais, as fronteiras entre países foram apagadas dos mapas, a comunhão da felicidade entre todos, e sentei. Só porque Durique é minha namorada...

P.V. 10:09 27/04/10

domingo, 25 de abril de 2010

Reflexos de um pecado

Vai aí correndo pelas mãos todas as oportunidades de felicidade, vai correndo pelos dedos, correndo pela boca, já não sei mais por onde arrumar tanto espaço para correria, e eu aqui, malditos pensamentos e alguns sonhos indiscretos que me fazem conjeturar falhas, me fazem entristecer o futuro, me tiram do lado de quem eu gosto, me colocam em outras situações, não tão boas, e sim muito boas, covarde eterno, a falta de coragem do mergulho e continuo na ponta do barco, seco, porém feliz.
Certas coisas não deveriam ser ditas, algumas delas, infelizmente, não deveriam sequer serem vistas pra que não sofresse um coração que não tem essa intenção, mas o futuro, esse cachorro sem casa, fica jogando idéias fétidas no ventilador e tudo cai em cima de mim, como fosse eu, um grande ímã que atrai péssimas coisas e péssimos pensamentos.
Já acho que talvez seja melhor não...
Ultimamente, venho cometendo o mesmo pecado de outros tempos, os feitos têm seu começo e se encerram antes de qualquer coisa...
Minha palavras estão sendo escritas e de repente, como num passe de mágica tudo se esvai, a criatividade me foge, a minha musa cai, algumas das piores verdades me são reveladas e me escondo.
Digo o que não quero dizer, escrevo o que não deveria escrever, morro a qualquer momento com medo de não ter que olhar pra frente mais uma vez, me jogo no chão pois talvez venham balas perdidas de sofrimento de todos os lados.
Essa noite eu tive um sonho ruim e acordei chorando, por isso te liguei...
Será que você ainda pensa em mim; será que você ainda pensa?
Não tenho tantas dúvidas, não tenho muito mais a perguntar nem mesmo tanto assim a responder. Tudo que devia ser dito já foi dito, as perguntas já foram respondidas, o sentimento já nasceu, as pessoas se envolveram, o garçom trouxe uma bela garrafa de vinho gelado e não parece que chegará ao fim tão cedo e mesmo se chegar, sem problemas... cantaremos...
O vinho acabou, mas a taça ainda não quebrou...
Mas é algo bem mais estranho que toda essa simplicidade, é algo que dificulta tudo e me coloca no chão, sentado, deitado, com a cara virada pra baixo sem vontade de olhar pra cima. Algumas noites prometem bem mais do parece, algumas madrugadas mostram verdades que machucam, algumas palavras são tão falsas que me doem de ler...
Ontem à noite eu conheci uma guria, já era tarde, era quase dia, ela apareceu, parecia tão sozinha, e parecia que era minha aquela solidão...
Já acordei, esqueci essa mulher, não faz parte mais da minha vida, minha curta estadia por esse mundo estranho, já não quero mais pensar nisso, não quero nem os planos nem nada, quero só as verdades a partir de agora, chega de fantasia e tristeza, levantei do chão, olhei pro céu... é tudo meu...
Nem o barco naufragado com seus passageiros desesperados poderia ser mais incrível que tudo isso. Nem aquele celular jogado no chão e a disputa sadia por pegá-lo primeiro e tudo que estava guardado dentro dele poderia ser mais incrível que essa história que ainda nem começou a ser escrita.
Deixo estar, pois ainda é a melhor forma de se levar as coisas.
P.V. 11:16 25/04/10

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Um ar livre na praça

Era lá um lugar meio estranho, dito conhecido por todos, no meio da civilização de nosso bairro querido, símbolo do crescimento, tal qual grita algumas dessas nossas literaturas mais modernistas, diria eu como Ilhéus de Gabriela e seu pai Amado. Mas não, estávamos um pouco mais abaixo da Linha do Equador, no Rio, e nem sequer aprendemos ainda a nadar.
Claro que um passeio a dois provoca bem mais do que a aproximação, provoca a intimidade, provoca o certo aumento do sentimento da paixão, do amor, de tudo isso aí que diz respeito ao coração e os pensamentos fofinhos de casais que se encontram numa tarde depois do curso. Pois bem, indagar-me-ão os homens, talvez as mulheres, os céticos e os puritanos, esses que já não se agüentam mais de tanto ler nessa página de internet o nome de tal mulher, linda e minha. Mas não... provo aos senhores que se faz louca em certos momentos de sua vida, o que amedronta muito minhas intenções.
As idéias desse autor que vos fala não são das melhores, é bem verdade, porém mesmo a ausência total delas seria um pouco melhor do que me fez ver, do que me fez sentir a musa inspiradora dos meus melhores dias. Durique no alto de sua insanidade pôs-se a caminhar, solene e altiva, sobre o falso tapete vermelho estendido aos seus pés, de dedos belos e resto duvidoso, rumo ao local de sua preferência, afinal se considera o homem da relação e quem seria eu para retrucar, discordar de uma mulher decidida? Boba...
Era felicidade total o que se via naquele local lindo e belo, cheio de bancos de pedra, o que não me conforta muito, afinal meus glúteos tão bem tratados na infância deveriam estar um tanto quanto amassados nesse momento, talvez pela falta de sensibilidade de nosso prefeito que ainda não tomou vergonha na cara e acolchoou tais assentos nas praças públicas. Pois bem como já foi dito numa outra ocasião, calei-me e ceguei-me para tudo que não era Durique. Assim como o sincero exagero das minhas palavras, também enxergo nisso um certo limite...!
Meu pai sempre me disse que meninos não podem ficar meninos, nem meninas podem ficar com meninas. Desde que me diz esse tipo de coisa nunca quis me interessar por saber o motivo, apenas aceitava seus conselhos. Admito que nesse dia, o fatídico dia da praça, entendi completamente as coisas que meu pai me dizia e as razões pela qual aquelas coisas não poderiam acontecer. Embrulhou-se meu estômago de forma tão absurda que me virei, dei as costas para essa estapafúrdia loucura da sociedade.
E ainda tem a coragem, ainda tem a lucidez de me dizer que não sei escolher filmes. Durique, a exímia escolhedora de praças...
Mas não se vêem mais revoluções como antigamente, não se encara mais as dificuldades como no tempo em que eu era jovem, no meu tempo de militante contra a ditadura, quando eu me jogava às ruas, a cara pintada, lutando pelos meus direitos, hoje em dia um casal apaixonado tenta se envolver numa praça de Bangu e tem que ficar admirando línguas semelhantes se embolando dentro de bocas, temos que assistir moças que gostam de outras moças trocando declarações de amor ao ar livre.
Mas tudo bem, tudo bem. Viva a liberdade de expressão, viva a liberdade sexual. Mas eu só queria saber quem é que vai pagar minhas sessões de terapia...
P.V. 11:07 23/04/10

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O sermão do homem parado

Foi um moço no alto de alguns poucos anos, alguns a mais que eu, provavelmente, mas com um pensamento bem diferente, com idéias bem propostas, com a determinação e a força que essa tal profissão, digamos assim, pede. Na verdade, os plágios do livro sagrado são os mais normais e liberados que podem existir, afinal, diz-se a palavra do Pai, tanto meu quanto seu, quanto dele também. Família não costuma criar problemas com a justiça.
Pois se Simão Pedro, o discípulo pescador, se propôs a sair de noite com seu barco humilde mar a dentro com o intuito básico de pescar o maior número possível de peixes para seu alimento, para o comércio, para o sustento da família, enfim, para dar seguimento à sua vida, e na volta chegou à conclusão de que nada conseguiu, de que nada pescou, de que voltaria para casa de mãos vazias e nada comeria, nada venderia, talvez encerrasse ali sua vida.
Mas um homem lá na em terra firme, um homem em pé ainda no fim da madrugada, parado, polivalente desde cedo, altivo e decidido, olhava o horizonte fixamente e o que vinha no horizonte era o barco sem peixes de Simão Pedro. O homem parado perguntou se teria ali dentro alguns peixes para que pudessem comer enquanto raiava o Sol, enquanto a Lua passava seu turno ao Astro das Luzes. A negação de Pedro era lógica, era esperada, era sabida.
Mas quem era aquele homem estático na praia, fazendo perguntas a homens que nem sequer conhecia, pensava consigo Pedro. A escuridão da noite não lhe dava chances de reconhecer o dono da voz, respondia por boa educação. Então o tal homem lhe disse para voltar e jogar sua rede mais uma vez. Pedro duvidou de sua palavra, decidiu não jogar pois passara a noite inteira fazendo justamente isso e nada conseguira. O homem disse: “Confie em mim Pedro, jogue a rede mais uma vez...”
Não há nada nesse mundo como uma voz de comando, como uma esperança que renasce dentro do peito de cada homem, não há nada mais forte do que a fé de se ter aquilo que tanto quer, não há nada comparado à ordem de Jesus.
Pedro obedeceu ao homem ainda desconhecido, jogou sua rede ao mar. O homem logo o mandou puxar. Três homens não foram suficientes para agüentar o peso, temeram que a rede arrebentasse, porém o milagre dos peixes na rede é tal qual o de não deixá-la se romper.
Desceram em terra firme, e lá estavam 153 peixes graúdos dentro da rede de Simão Pedro e ele entendeu que o Senhor havia voltado, o Senhor havia reaparecido para ele, justo ele que o negara três vezes na ocasião de sua morte, pela terceira vez aparecia Jesus Cristo depois que os homens, tão filhos de Deus quanto Ele, o crucificaram por dizer e ser a Verdade.
A emoção não é dos seres mundanos, a emoção é de quem ama com o coração, a emoção é de quem sente saudade, a emoção é de quem assume um erro e se desculpa, a quem pede perdão ao único que pode perdoar, a emoção estava em Pedro. E disse Jesus a Pedro: “Pedro, tu me amas?” E Pedro respondeu que sim. E mais outras duas vezes perguntou Jesus, e Pedro afirmara mais duas que sim, amava Jesus.
Da mesma forma que negara três vezes, dissera agora que amava por mais três vezes. Jesus Cristo está acima de qualquer expectativa e irá sempre perdoar o pecador. Porém nota-se claramente que a falsidade está perpetuada pela sociedade até mesmo naqueles que mais poderíamos confiar, a falsidade, a mentira, a insinceridade, os caos da vida, e tudo mais que não presta e faz o próximo sofrer.
Ninguém entende o que se quer dizer, ninguém aceita algumas verdades, ninguém repara no que mais importa, nem mesmo o padre bem instruído que falava no altar ante a Cruz de Jesus se importou em abordar o que mais atenta ao interesse social. O milagre dos peixes não é nada, a fome de Pedro que foi saciada pelo poder do Espírito Santo não é nada, a aparição de Cristo pela terceira vez após sua crucifição também não se faz tão importante.
O que se quer passar, o que se quer fazer entender depois de uma história bem escrita pelos homens de Deus, o que se quer propagar pelo mundo pelas palavras sagradas do grande livro é que o perdão é acessível, de que os erros acontecem, de que o medo de errar deve ser aceito como normal, de que nem tudo o que parece é, de que seu amigo mais próximo poderá falhar, e se amigo seu ele é, não há problemas em que seu perdão seja destinado a ele.
O homem é a imagem e semelhança de Deus, Jesus é filho de Deus, todo poder é equivalente, as religiões são piadas inventadas de mau gosto, a fé é a única certeza da vida. Jesus trouxe 153 peixes para Pedro. Buda poderia trazer 500. Alá prometeria 700 peixes mais algumas virgens. A religião não diz nada, a fé grita.
Paremos um pouco de ver o lado bom das coisas e tentemos enxergar o lado melhor.
Beijos.
P.V. 19:02 22/04/10

A escolha do vinho²

Se a sua vida é tudo que tem, se a sua vida é simplesmete a única coisa que tem, se amas com todo o coração, se tem aquela pessoa a qual olharia pelo resto da eternidade, se dedica seus últimos sorrisos a ela, se deixa de lado uma vida intensa para viver a solidão de dois, se ela lhe pede, por que não entregar sua vida...? Como não dá-la?
Meu sentimento estava certo, meu sentimento sempre esteve certo. Eu sempre quis muito mais que sua amizade. Minhas palavras antigas já não me deixariam mentir, nada que digam ou deixem de dizer pode mudar uma vontade ou um desejo de fazê-la feliz. Seu sorriso é a melhor coisa que existe, o prazer mais perfeito, a alegria completa. Seus beijos são tudo que sempre sonhei e a prova concreta de que Deus existe. Seu abraço leve não me mostra segurança pois a qualquer momento posso cair, justamente por culpa exclusivamente sua.
Martelava lá um coração, o ritmo de uma respiração irregular e os lábios movendo-se em sincronia. Olhos se abrem e notam a coincidência. Faz todo o sentido eu te olhar desse jeito, meu amor. Você é o maior de todos os prêmios que poderia, um dia, ganhar.
Pois pedi mais uma vez vinho ao garçom, gritei forte, chamei com toda minha força e fui correspondido, até mesmo porque um homem com o poder da palavra há de ser recompensado de alguma forma, mesmo que seja somente com o vinho na bandeja desse moço trabalhador, dono do futuro, senhor do destino, queira lá chamá-lo como for. Veio meio estranho, meio cambaleante, meio tímido, não soltava ainda as chaves que poderiam abrir nosso caminho. Talvez quisesse algumas provas, talvez fosse mais inteligente se deixasse que as coisas acontecessem naturalmente. Pediu um tempo, deixou as crianças brincarem, se conhecerem, deixou que o mundo desse chances possíveis de que caminhos diferentes fossem tomados, quem sabe no espaço curto ou longo de um ano. Acenou com a mão, o papel escrito com o meu pedido primeiro foi guardado no bolso do paletó, sussurrou em nossos ouvidos: “Daqui a um ano conversamos mais uma vez...”
Nasci e morri algumas vezes em doze meses. Minha antiga pressa se resumiu em espera sem esperança. Assumi minha conversa em outros bares, bebi até cair, não pensei em sentimento, esqueci aquele vinho, traguei até fumaças de cigarros, gastei meu batom, me sujei, fingi falsas felicidades e não consegui voltar pra casa com o coração satisfeito. A verdade mostra o caminho certo a seguir.

Um ano depois gritei mais uma vez o garçom e pedi vinho, gelado, num copo com gelo. Retirou do bolso aquele antigo papel um pouco amarelado pelo tempo, pôde ler meu pedido, pôde entender que um homem tem todo o direito de viver e fazer suas escolhas, abriu um largo sorriso no rosto e me disse que, enfim, chegara minha vez.
Trouxe em sua bandeja, o vinho que pedi um ano atrás. Deixou lá o copo e se foi para longe.
Sentou do meu lado, conversou palavras fúteis e perfeitas, deixou brilhar seus olhos pra que eu me lembrasse de como eles eram lindos, deixou sorrir seu sorriso pra me apaixonar ainda mais que antes, me deu um único beijo e achou que isso me daria satisfação. Eu ainda tinha uma noite inteira para sonhar. Um único beijo perdido na rua, um simples encostar de lábios poderia deixar-me louco.
Não seja por isso e não tenhamos mais problemas em assumir. Deixa que eu te beijo e sinto teu gosto como nunca senti antes, deixa que minha vida se faça sua e que o mundo todo entenda o quanto te quero bem, deixa eu te fazer feliz, nem que seja pelo curto espaço de tempo de um beijo molhado no meio da rua.
Ainda estou me servindo desse vinho perfeito...
P.V. 13:55 22/04/10

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Explanando o sentimento

Já não quero mais olhar para o lado e ver um vazio, já não quero mais fechar os olhos e lembrar de seu rosto, seu sorriso, suas palavras engraçadas. A saudade é dessas coisas terríveis que não deveria, em ocasião alguma, ter sido criada. Dizem, alguns, que é saudável e alimenta o sentimento. Mas a vontade de ter é tão grande que faz doer em certos momentos.
Durique já se foi. Está lá em sua devida residência, no conforto do lar, talvez pensando algumas bobeiras a respeito de mim e se apaixonando tanto quanto eu, talvez com uma pitada de saudade tal como a minha, talvez com a vontade do sentimento parecida com a que desejo agora...
Como eu sou tolo.
Passariam anos e suas respectivas décadas, e nem mesmo assim, passariam vidas e algumas gerações, e nem mesmo assim, nasceriam ventos e morreriam tempestades, nem assim, nem mesmo assim poderia nascer no coração da minha musa sentimento tal qual o que passa do meu peito para o papel nesse momento.
Gritaria com todo prazer a todos que tivessem um mínimo de paciência de ouvir o quão feliz estou nessa noite que já terminou e deu lugar a uma madrugada igualmente satisfatória. Sei que não há nada mais para esconder, sei que a vontade já berra bem mais alto que qualquer razão e o que tiver que ser será, sei também que não há tanta necessidade de apressar o que há de ser pois o tempo manda e a gente obedece, mas como seria bom se ela continuasse aqui do meu lado, sentada como criança boba, rindo como boba criança, esse brilho no olhar que nunca vi em olhos outros, essa calma, essa risada perfeita, esse corpo tão meu.
"Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade." Ela lá, e eu cá, com sonhos que podem se confundir seria um tanto quanto perigoso. Boa opção é a de deitarmos juntos, uma sincronia total de corpos, um adormecer unido e acordar entrelaçado, e o sonho um só, junto, real.
Tudo o que sempre sonhei se faz realidade e não tenho condições algumas de reclamar de qualquer coisa que tenha ou não tenha acontecido.
Muito pouco poderia estar se desenrolando, mas o simples fato de olhar para o lado e lembrar de Durique já apaga qualquer tipo de chama que viesse queimar minha alegria.
Agradeço a Deus, agradeço a sua mãe, agradeço a seus amigos que lhe moldaram para o bem, agradeço a vida que te criou como mulher, agradeço um pouco aos seus antigos amores que lhe calejaram o coração e lhe fizeram derramar lágrimas que não cairão outra vez ao meu lado, agradeço a tudo que lhe cerca por lhe fazer existir.
Não seria infeliz se Durique não viesse à tona. Talvez até tivesse sim uma vida perfeita e muito boa. Mas a certeza de que um sentimento tal como esse não nasceria dentro de mim em tão pouco tempo é muito grande. Nada se compara ao que Durique e todas as suas faces conseguem me proporcionar, seu ciúme bobo, seu riso, sua raiva, sua lição de vida e conselhos inteligentes.
Fato concreto é que não quero mais, de forma alguma, olhar pro lado mais uma vez e não lhe ver aqui.
Talvez eu mude de lado, essa cama...
P.V. 21/04/10 00:58

Pela calçada

Vim pela calçada, andando com a cabeça erguida de um homem valente e forte, poderoso, presidente, bobo, apaixonado, morrendo de saudade. Vim pela calçada pois a rua se faz perigosa e os carros em alta velocidade poderiam tirar minha vida e pior, a possibilidade de um belo sonho ao lado da mais bela mulher que já toquei os lábios. Vim pela calçada com medo de chegar muito rápido em casa pois sei que os pensamentos da rua são tão maiores que os do lar, justamente porque percorri todo aquele caminho uma vez na ida ao seu lado, de braços cruzados, como daqui a algum tempo quando entrarmos numa dessas belas igrejas todas enfeitadas, ou então que seja na praia, e as blusas abertas e brancas, a havaina no pé e o vento forte do mar fazendo voar seus cabelos castanhos. Vim pela calçada e em algumas vezes olhava diretamente pro céu, procurando com pouco sucesso minha maior companheira Lua, com seu sorriso prateado, pendurada no escuro do céu. Vim pela calçada pois o nível em relação à rua é maior, e eu, no posto que estou de felicidade nesse momento que escrevo malfadadas palavras, é de topo, no lugar mais alto possível, um homem que caminha com uma mulher como essa deve ocupar um lugar de destaque. Vim pela calçada, mas pra ser sincero minha vontade maior era dar meia volta e bater em seu portão, gritar seu nome, apertá-la em meus braços mais uma vez, deixar um pouco mais do seu perfume natural de deusa no meu corpo, dizer-lhe todas as coisas que meus olhos gritam quando brilham encarando seu sorriso, poder beijar-lhe a boca mais uma vez, a última vez nessa noite tão perfeita que não cabe nas minhas letras, extrapola os limites de um parágrafo, não se fazem totais em qualquer plenitude. Vim pela calçada com os olhos fitando um horizonte que não existe, vim enxergando tantas coisas que não se podem ser descritas que me sinto frustrado por não conseguir compartilhar toda a minha alegria com o resto do mundo. Vim pela calçada sentindo as sensações de um coração apertado de saudade muito precoce, um sentimento tão forte que, de fato não pode ser, de forma alguma, escondido. Vim pela calçada e havia na minha mente uma imagem única, um sorriso perfeito, curvas bem desenhadas e tudo mais, as mesmas coisas que não se podem esconder, as mesmas coisas que me fizeram mudar de rumo da noite pro dia, tudo que um dia, talvez há um ano, me fez perder um pouco do sono, e hoje tira completamente qualquer pretensão de sequer fechar os olhos, atira longe os travesseiros, desarruma a cama, joga Durique em cima do colchão e prega meus olhos em sua presença. Vim pela calçada pensando em algumas das coisas que poderia lhe dizer, algumas das coisas que poderia lhe fazer e vi que ainda assim tudo era muito pouco perto do que, de fato, é verdade; vi que tudo que eu possa fazer ainda assim não chegará a uma pequena parcela do que eu sinto e posso vir a sentir com relação a Durique; vi que muitas das atitudes tomadas podem ser vistas como um aprendizado e o nome perfeito de uma paixão que se coloca em sua frente é o ato decisivo que faz um homem pensar de forma diferente. Vim pela calçada só porque antes de olhar seu rosto pela última vez ela me disse pra tomar cuidado. Vim pela calçada e voltaria pela calçada quantas vezes fossem precisas só pra ter o prazer de lhe ver mais uma vez. Vim tanto pela calçada que acabei chegando em casa.
Pena que vim só.
P.V. 00:43 21/04/10

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Resposta à visita

Não foi apenas o que se pode esperar de duas pessoas, dois personagens perdidos num mar de pessoas e luzes, mesmo que na escuridão da noite com a Lua, intensa, pendurada no alto desse céu que nem sequer pôde ser encarado pelo que mais me chama a atenção perto de mim.
Seus olhos me olharam num momento em que nada mais podia ser fazer maior, e eu, apaixonado eterno pelo que sua felicidade representa, não pude deixar que a vista fugisse ou sequer pudesse encarar coisa diferente.
Uma despedida é das piores coisas que um homem pode viver e justamente por isso, o que não se faz deve ser escolhido no instante certo que antecede a união dos lábios.
Era o silêncio em torno de nós que gritava sobre o que ia acontecendo, uma vez que de olhos fechados não se enxergava coisa alguma a não ser somente o sentimento de eternidade que um beijo seu pode me proporcionar, todo o mundo calado, talvez observando o que nossos lábios faziam, a dança e o ritmo que ainda me provam a perfeição de uma coisa qualquer perdida no espaço de tempo de um amor. Sei que posso fechar os olhos mais uma vez e sentir como é ter uma linda mulher em meus braços, como se fosse o resto de todo o mundo batendo palmas para um sonho que se faz verdade, como fosse a felicidade de ter quem se quer lhe chamando no portão numa noite que não prometia nada mais do que balas... os doces substituíram a pólvora.
Ainda há tempo para crer no amor.
Deve haver aí no mundo algumas doenças bem sérias e sem cura, da mesma forma que há também outras pessoas tentando achar a solução para o tal mal.
Mas dos apaixonados e suas respectivas mazelas, homem nenhum no mundo com o auxílio da ciência conseguirá encontrar a cura, pois não querem se curar, pois não há como desvendar seus segredos, pois são os enfermos mais felizes, pois é a melhor doença que já existiu.
E me vejo tão doente quando me encaro no espelho pra tentar esboçar um sorriso mais saudável, me vejo tão bem nos olhos de Durique que ainda sim não quero saber de quaisquer remédios que me tentam fazer tomar à força. Mas o pouco ainda não me satisfez.
Falei ao mundo e aos sete ou oito cantos que estão por aí espalhados, abordei cada parte de um sentimento que poderia nascer, gritei, disse quase tudo que tinha dentro de mim e ainda assim não puderam me entender, falei das coisas que sinto quando sua imagem me vem à mente, me despi de toda a falsidade que sempre foi característica principal das conquistas, me livrei de todo mal e assumi a responsabilidade das palavras, ainda assim não puderam me entender; tentei, então de outra forma, fiz mímica, levantei as mãos ao alto, fiz o coraçãozinho, de nada adiantou...
Estou completamente apaixonado e ninguém sabe das coisas que eu encararia pra fazer essa mulher, a mais feliz de todas. Sinto esse não egoísmo tão grande dentro de mim que esqueço minha alegria por um sorriso que nasça no rosto dela, largo minhas futilidades pelo prazer de Durique, deixo correr pelas minhas mãos toda a vida que já vivi, deixo tudo do lado de lá, sem esquecer dos amigos que cativei, pra encarar plenamente o que é Durique, o que se faz Durique, o sentimento meu que é dela agora, que já é dela há tanto tempo e por esses últimos dias foi transbordando de forma excessiva...
A vida me sorri nos lábios da minha inspiração.
P.V. 16/04/10 14:08

domingo, 18 de abril de 2010

Atritos finais

Talvez eu tenha essa intenção básica de abordar um assunto muito meu, esse assunto que diz sobre o que é a maior verdade de qualquer tempo, sobre o que eu sempre penso e que nessa noite, ainda sem fim, teve total concreticidade na minha visão. Talvez eu seja muito perfeito...
Minto. Minha imperfeição que é muito gritante aos seus olhos, tanto quanto grita sua blusa verde horrível. Tenta me privar sem dar o exemplo. Onde eu estava com a cabeça quando julguei que poderia emprestar alguns dos meus melhores dias a ela, onde estava com a cabeça quando imaginei que meus melhores beijos poderiam ser dedicados somente a ela, qual a quantidade de merda que eu comi quando passou pela minha mente que meus sorrisos seriam todos frutos de motivos que partiam dela..?
Sinto-me um tanto quanto contraditório e infeliz nesse momento, justamente porque o domingo não me mostrou nem um pingo que eu imaginava, nem uma ponta de felicidade foi vista que pudesse me trazer um pouco de conforto para descansar minha cabeça no travesseiro nessa noite. Ao mesmo tempo nasce e morre um sorriso no meu rosto, nasce e morre uma felicidade dentro do meu peito e eu nem sei o porque, não consigo imaginar razões necessárias pra que eu tenha esse discernimento único sobre as sensações variadas.
O que fica certo, o que fica claro aos meus olhos é que uma exclusividade deve ser exclusiva a quem, de fato, merece.
Certas vezes na minha vida, indago-me a mim mesmo sobre quanto amo minha mãe e como não dividiria esse amor com nenhuma outra mulher no mundo. Fatos noturnos me dão razão... fatos noturnos sempre me dão razão.
E lá no alto do céu sorri uma Lua prateada com suas filhas estrelas em volta admirando minha saga aqui no chão, louco e desvairado, o copo de cerveja na mão, ainda imaginando mil situações ao lado de uma pessoa que poderia me fazer tão feliz e se mostra incompetente na fácil missão de cativar.
Que chorem, que sofram, pois o sofrimento e as lágrimas nascerão no lado contrário ao meu, e não teria arrependimento algum pois saberia que a razão é justa e um amor vale por dez paixões.
Já é tarde demais.
Na verdade, a madrugada já deu as caras e eu, intenso e embriagado, sabendo de cor que minhas palavras nesse momento são da mais pura sinceridade e justamente por esse motivo que me jogo às letras, fico aqui martelando minhas próprias verdades pra que não esqueça, quando amanhecer o dia amanhã, de tudo que vivi na noite anterior e de tudo que tenho guardado na cabeça a ser conhecido no dia seguinte.
Calei-me e ceguei-me para tudo que não era Durique.
A vida de ioiô é tão dura quando se vai quanto quando se vem.
Passados e presentes se unem numa rua tumultuada e se misturam só pra confundir as mentes envolvidas.
Não me deixo mais envolver, nem tão pouco confundir.
Faz-se clara minha noite. Nem o gato que me direcionava fixamente os olhos na volta para casa poderia entender quais filosofias profundas passavam dentro de mim durante a caminhada.
Felizes são os que não amam.
Já perdi minha felicidade...
P.V. 01:11 19/04/10

sábado, 17 de abril de 2010

Chão de giz


“Mas não vou me sujar fumando apenas um cigarro, nem vou lhe beijar gastando, assim, o meu batom...”
“Meus 20 anos de boy, that’s over baby...”
Pois bem, está mais do que certo, o tempo chegou para mim. Sei que não será da forma que sempre sonhei, sei que nada nessa vida pode ser tão perfeito quanto o sonho que já fugiu tanto de mim nessa última noite onde os olhos estiveram bem mais abertos do que se deveria, talvez pelo simples motivo de querer enxergar, talvez por querer também a memória visual de mais uma perfeição, dia após dia, o costume que não foi prometido.
Minhas duas décadas de vida, meus anos de garoto, minhas intenções estranhas, minhas idéias prontas e palavras certas, tudo em um momento ou outro chega no seu ápice. Não chora um palhaço com a tristeza do fim de um circo, chora um palhaço com a alegria de ter participado do espetáculo...
Todos os motivos são meus e não quero abordar um vôo que nem sequer saiu do chão, os passageiros que me perdoem, o piloto está de saída, a aeromoça me espera no hall, talvez uma limusine, talvez o ônibus, o futuro é pequeno e não há nada mais que me prenda nesse aeroporto cheio de atrasos e filas incríveis para conseguir misérias de felicidade.
Se é um cigarro que morre na minha mão, nada que uma razão não possa dizer os motivos que me levam a querer morrer por ele. Meus momentos de alegria são de maior intensidade quando ando no meio do povo, quando vejo o escuro cada vez mais negro, quando a noite grita em minha volta e a felicidade de todos se reflete em mim, como fosse eu, um incrível espelho multiplicando por vezes e vezes o que se põe na minha frente, como se a Lua que sorria no alto do céu pudesse me entender, somente ela, com sua compreensão eterna, somente ela a olhar por mim e guiar meus passos, algumas vezes por maus caminhos que me levariam a conclusões erradas, porém com as intenções melhores que puderem existir.
Freud explicaria bem melhor que eu, mas na sua ausência fico com minhas próprias palavras, possivelmente perdido. Ainda que tudo não seja tanto quanto o esperado, ainda que o pouco que me deixo levar já vá satisfazendo minhas pobres pretensões, ainda que o mundo me ofereça uma quantidade aquém do que seria, de fato, permitido e orientado, não tenho muito do que reclamar...
Após os 20 anos já abordados, após o fim de muitas outras escolhas que são feitas em prol da sociedade, em prol de mim mesmo, com receio ou medo do que poderia pensar uma estranha ao meu lado, corri de encontro a outro lugar mais distante de tudo, mais distante das vozes, mais distante da beleza, onde eu pudesse me deixar levar pelo instante, onde a verdade de algumas certezas pudessem ter o tempo necessário para nascer ainda mais fortes dentro do meu peito, pra que eu pudesse gritar aos meus amigos, nem tão amigos, que o sentimento existe, e que não são 20 anos que matarão minha paixão, não é por um cigarro que eu vou me sujar, nem beijaria de novo sua boca pra gastar o meu batom...
P.V. 14:10 17/04/10

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A inconveniente paixão

Temos que saber exaltar as coisas bonitas dessa vida. Temo saber exaltar as coisas boas dessa vida. Até mesmo porque já se foi aquele tempo da ladeira.
Tempo em que eu, novo ainda, ia subindo os morros, ia andando devagar pelos caminhos que eram meus todos os dias, pegava trem em algumas poucas oportunidades e nessa viagem intensa já fechava meus olhos pra fazer nascer na minha mente os melhores pensamentos que pudessem ser meus naqueles momentos.
Não há nada de errado em pensar no que mais lhe agrada, não há nenhum problema em sentir brilharem os olhos quando se enxerga de longe a pessoa que mais lhe agrada, não há problemas em exaltar as coisas bonitas da vida e, admito, até se feia fosse, eu exaltaria.
Não vejo mais o que fazer, nem vejo mais o que procurar, já não me contento com esse pouco, não entendo o que mais me apetece, não digo mais o que penso, não faço mais o que é errado, não aceito as mesmas conversas de antes e me ponho sempre sentado, calado, apaixonado, talvez.
Visitas ilustres não acontecem sempre e não acostumam meu dia, mas bem que poderiam se fazer diárias. Acordaria, eu, ainda mais feliz com a certeza de tê-la por perto, ainda que pudesse só olhar seu sorriso, ainda que pudesse só sorrir seus olhos, ainda que pudesse só beijar suas palavras. O pouco que não me contenta...
E vai o mundo me jogando muitas mentiras pra que ela se vá, pra que ela parta para mais longe, ainda que as coisas todas que vivem na minha cabeça não tenham sido feitas, ainda que muitas das verdades que tenho guardadas pra lhe dizer não tenham sido ditas, ainda que eu tenha ficado parado só olhando sua perfeição de longe, medroso do que possa acontecer.
Mas não...
Fui em busca de um novo amor. Dizem os céticos que um novo amor necessita de um velho para existir e concordo plenamento. Durique é meu velho amor, Durique é meu novo amor. E o senhor exagero manda mais lembranças para mim. Agradeço, educado que sempre sou.
Pediu bala à moça da barraca, e a moça da barraca pediu para lhe entregar em mãos. Só um fato relevante que nada releva, só revela.
Falei com Deus e com mais alguns santos sobre a possibilidade e até uma previsibilidade da tal surpresa antes anunciada. Garantiram totalmente a presença marcante de uma estrela brilhante cruzando minha residência, lá pelo começo das chamadas 'trevas', um pouco antes do apocalipse anunciado para as 20 horas, talvez uma estrela de branco, uma estrela cadente que não cai. Nem pensei em fazer pedidos e desejos, agora me lembro que esqueci. Talvez fosse um bom momento pra pedir tudo que quero dela, todas as coisas que vivo pensando a respeito de suas palavras, o jeito perfeito que ela sorri sem motivo das coisas mais sem nexo que partam de mim, o modo lindo que seus olhos se abrem quando me olham e eu, tímido, miro o horizonte pra não me apaixonar ainda mais pela sua beleza...
Certas vezes a paixão dá as caras mesmo sem ser convidada. Encontra portas fechadas, luzes apagadas. Abusada, grita no portão, pula a janela, se instala, adentra em sua casa, come da sua comida, dorme na sua cama, se banha no seu chuveiro, vê sua televisão, beija sua boca.
A paixão me visitou a parece não querer ir embora.
P.V. 15/04/10 21:14

Mindfuck e o paralelo da blusa ainda verde

É bem mais interessante começar uma crônica pelo seu fim e ir, aos poucos reescrevendo o seu começo do jeito que preferir o autor. É bem mais fácil saber de uma só vez como terminará uma história de amor pra depois articular movimentos e ações pra diminuir as expectativas dos primeiros dias de paixão. Porém todas as coisas fáceis e intessantes já estão muito chatas.
Estava lá eu, indo ou vindo de algum lugar, naquele tal trem, locomotiva desses nossos novos tempos, e por ser como sou, tolo e ignorante, fechei os olhos para lhe ver melhor enquanto passava o tempo até que meu destine se desse.
Não há ainda nessa matéria, pois só pode ser modificada e destruída jamais, um outro ser tão problemático a colocar-se frente a um espelho qualquer dentro de sua casa, um sorriso ou outro perdido ante seu reflexo perfeito, os cabelos mal penteados, a preguiça exposta em seu corpo depois de ser cuspida cama a fora, a roupa que vai aos poucos tapando-lhe os meus sonhos,
e uma blusa.
Há algumas explicações para serem abordadas antes que adentremos de vez nesse ínterim que me veio à mente durante a manhã e fora comprovado somente à noite.
O que não poderia jamais entender e nem faço assim tanta questão de querer, é como uma pessoa que parece ter tanta inteligência e sagacidade se deixa levar pelos erros fatais de uma simples adolescente ao auge do poder que lhe foi entregue nas mãos. Como pode insistir no que não existe, como pode acreditar na mentira, como não vê o que está frente aos seus olhos????
Pois bem... ainda não entendi como Durique saiu de casa com tamanha blusa feia da cor extremamente forte de um verde florescente, ou “fosforecente” como diriam uns outros poetas populares. Na certa havia marcado um encontro, talvez algum pirigueti com problemas de visão, miopia provavelmente, e justamente por essa sua deficiência, agiu mais uma vez com o coração e lhe fez a bondade de estar um tanto quanto chamativa para que não se perdessem um do outro. Belíssima Durique com todas as suas qualidades que não se agüentam por dentro e vazam de seu corpo como o perfume que exala nos seus melhores momentos. Belíssima Durique com a verdade exposta em todas as suas palavras como as minhas, e eu, bobo, me faço entender aos poucos. E desejaria tanto ser um pouco mais ignorante para que passassem despercebidas aos meus olhos as verdades que ela entrega nas mãos alheias.
Tento me fazer entender também.
Mas se enxergam, vêem bem mais do que poderia estar aqui escrito nas minhas humildes palavras todas dedicadas a quem me lê. Se olham com olhos diferentes dos normais (e vejam que não é essa a minha intenção) conseguiriam extrair tudo o que não há ou o que está muito bem escondido.
Um dia eu disse que se quiserem saber de mim, se quiserem desvendar todos os meus segredos ocultos, o sentimento que morre dentro de mim todos os dias, se um dia quiserem ao menos saber o que penso sem escrúpulos nem medo da multidão, era só entender minhas palavras.
Mas é uma pena que não entendam...
P.V. 15/04/10 10:22

Um caso no transporte alternativo

Fui eu que tomei a iniciativa num primeiro momento, mas não entendam minhas palavras como alguma coisa que leve ao lado da pederastia, pois encaminhava minha pessoa e minha mente saudável para o âmbito acadêmico onde formo concepções e adentro no mundo das pesquisas para que possa um dia concluir o curso do qual sempre fui apaixonado. Mas um banco vazio me atrai e lá fui eu sentar, oras...
Claro que o banco da frente, justamente esse que atrai maiores atenções e disputas por estar com a visão ampla do que vai acontecendo, as táticas do motorista na habilidade de dirigir, a brisa gostosa que entra pela janela e tudo mais, foi esse banco que ficou vazio enquanto eu ainda me encontrava em pé dentro daquele automóvel que carrega pessoas, o famoso transporte alternativo carioca, uma vez que falham de forma horrorosa todos os outros ditos certos.
Pois a moça era no mínimo desinteressante.
Poderia aqui, em algum momento da dissertação, atribuir-lhe aquele odor estranho de peixe no ar, mas não teria como provar que realmente partia de sua pessoa, ainda que o cheiro tenha desaparecido misteriosamente quando ela se fez ausente. Porém deixemos a partida para daqui a pouco.
Sentei-me confortavelmente entre a fulana e o motorista, agradável momento que deixava transparecer sobre meus olhos após o dia corrido e a tarde tranqüila. Olhos ao meu lado direito me fuzilavam ferozmente e eu, tímido como sempre, dei uma singela virada para averiguar se aquele material era de boa procedência ou se a vida reservara para mim, mais uma vez, os dragões de São Jorge, todos já esfacelados pela ponta de sua espada mortal. Essa até mesmo São Jorge não quereria em seu quintal de batalhas.
É bom enxergarem as tristezas que se colocam em meu caminho desde que me propus a andar pelas ruas da vida, desde que o mundo resolveu me fazer homem, talvez presidente, talvez imortal, um simples apaixonado.
Teve lá seu início terrível então. A fulana, que já não se agüentava de tanto olhar para mim com seus olhos famintos enquanto eu temia pela minha própria saúde, uma vez que sua fome era tamanha que deixava cair pelo lado de sua boca um ou dois pingos de baba e eu lembro, lembro sim, de uma oportunidade em que uns rapazes bem intencionados do Discovery Channel abordaram o assunto de um tal dragão numa ilha perdida desse nosso planeta que matava só com as bactérias da saliva. Tremi. E ela começou a falar...
Indagou insistentemente sobre as pulseiras coloridas que estavam em meus pulso. Queria saber por que motivo e razão ia eu andando com aqueles apetrechos no braço, queria saber o significado e as cores, e o que cada cor fazia. Eu, leigo por vontade própria, ia justificando minha falsa ignorância temendo, que ela arrebentasse alguma delas e implorasse, gritasse, esperniasse até a morte que eu fizesse alguma coisa, quem sabe um beijo, quem sabe um cheirinho no pescoço, quem sabe uma chupadinha no peitinho... e arrepio-me de terror ao lembrar desses momentos da última noite.
Via o motorista sorrindo de leve ao meu lado, maldito que não servia nem sequer para me ajudar de alguma forma, talvez expulsando aquele demônio tarado do corpo de seu transporte alternativo, talvez tivesse guardado no porta-luvas alguns dentes de alho, quam sabe uma cruz, uma Bíblia talvez...
Depois de uma eternidade, com direito a pedidos de maior atenção, com contato físico, palavras desmedidas e perguntas incovenientes, pediu que parasse a Van pois chegava seu ponto. Agradeci a Deus, me benzi, sorri satisfeito, e o fedor de peixe se ausentou, estranhamente. Do lado de fora ainda teve a coragem...:
__ Tchau gatinho...
P.V. 15/04/10 10:48

quarta-feira, 14 de abril de 2010

No dead lines

Foi o tempo mais feliz do meu último ano, aqueles instantes em que sonhava, louco de tesão e algum pouco sentimento, aguardando com nenhuma paciência um tal terceiro encontro que nunca aconteceu. Se eu lembro com saudade, posso fechar bem os olhos e ver que agora, depois de um ano bem vivido, pouco mudou. Talvez haja um louco tesão e um enorme sentimento.
Estranho para mim é passar por esse tipo de situação uma vez que o costume da normalidade sempre me mostra todas as mulheres tão iguais e incapazes de mover míseras palhas dentro de mim. Porém, ceguei-me e calei-me para tudo que não é Durique, e sinto, dentro de mim, como estivesse cometendo um incrível pecado do qua sou o único a fazer as próprias críticas. E, do fundo do meu coração, não acho que ela mereça nem metade de tudo que sinto aqui guardado.
Mas foda-se, quem sou eu pra achar alguma coisa...?
Quem sou eu pra discordar do sentimento?
Não sei do futuro, mas sei do que é verdade. Não há como fugir desse destino. Não morrerá mais um ano afogado em poligamia isenta de plena felicidade.
E quando chegar...
Há tantos segredos por desvendar e somente a olho nu eu poderia enxergar, que perco os sentidos por um momento e imagino toda a sua saúde ao alcance de minhas mãos, o desenho endeusado do seu corpo, a escultura única e fogosa que eu vejo em algumas poucas ocasiões perdidas no meio de todo o espaço de tempo que nos separa.
Toda essa sede de libido que desperta meus melhores sonos, que me faz dormir com mais vontade, toda essa saudade de seus olhos, toda essa vontade louca de ver mais uma vez o seu sorriso, o que eu não me deixo falar, sua insensatez, tua estupidez, toda Durique, sua falta de decoro para com as coisas que me fazem menos gente, mais amigo, a sua intensa beleza, de corpo, de mente, de inteligência, todo o seu sexo incrível que um dia há de ser meu, somente meu quantas vezes eu quiser, o sentimento estranho que me come aos poucos e me faz um outro homem quando o assunto é Durique, o brilhos nos meus olhos que se reflete nos dela, o sorriso no meu rosto que plagia o dela, tudo em mim poderia ser um reflexo do que ela representa, mas vêem que não é bom. E não há de ser.
Técnicas e táticas não adiantam como jamais adiantaram.
Resta-me conformar-me com essa triste idéia de tê-la de longe, de lhe ver passando com outros, de dormir destinando meu pensamento a mulheres tão desmerecedoras quanto Durique, mas com nomes diferentes...
Alegrias vêm e vão.
Durique fica.
Céus e mares passam.
Durique fica.
E eu estou indo, só...
P.V. 14/04/10 17:55

terça-feira, 13 de abril de 2010

A batalha no vale do amor

Foi-se o tempo em que minhas palavras eram todas traduzidas num pequeno parágrafo, quem sabe em algumas vozes soltas no meio da multidão só pra que fossem as mais importantes entre todos que tinham a coragem de se levantar e gritar como eu; foi-se o tempo em que um pouco mais de medo era a dosagem certa para os tais românticos da minha nostalgia jovem e aquilo construiu um pouco do que sou hoje; foi-se o tempo em que era escrito em meu dicionário a palavra impossível. Atualmente desconheço totalmente qualquer significado relacionado a esse tal vocábulo.
Já não me sinto como antes...
Tinha lá essa vontade boba de exaltar alguns feitos, assumir com todas as palavras o que não existe e o que se torna, mas a moral que cresce dentro de um outro coração diferente do meu poderia atrapalhar os planos de futuro que minha mente vai desenhando aos poucos, ainda que muitas pessoas não concordem com essa afirmação e bolem lá em suas respectivas cabeças também outros planos para desmoronar minhas intenções, talvez nossas.
Mas agora vejo que a construção ultrapassa a capacidade do arquiteto. Nem por isso torna-se impossível.
Outros métodos serão utilizados para que o edifício seja levantado, outras formas de amor, outros jeitos de paixão, as palavras melhores, os beijos mais molhados, a saudade vai nascendo e tudo fica no seu estado perfeito pra que se acorde amanhã, pra que se durma hoje e o pensamento continue o mesmo. Dois em um e um que se divide em dois. A construção amorosa cresce como nunca nesse país...
É só analisando os fatos que se pode entender uma frase ou duas. E não sabem, nem terão a chance de saber coisa alguma do que está sendo dito pois, ignorantes, não lhes diz respeito coisa alguma que pretendo fazer ou praticar para minha vida própria. E se suas bondades atrapalham meu caminho, também não tenho o direito de estar triste. O amor alheio é sempre tão lindo e minha falta de egoísmo, erro fatal de meus piores dias, faz com que ainda assim, mesmo perdendo aquilo que mais amo, o sorriso brote no meu rosto ao saber da felicidade lá longe.
“À noite, a luz do meu quarto eu não quero apagar, pra que você não tropece na escada quando chegar...”
Tudo isso é um grande jogo super interessante do qual ainda não me cansei de brincar, o que alegra muito os meus dias fazendo com que tudo seja ainda mais colorido em minha volta, fazendo com que eu ainda tenha um pouco de esperança com relação ao que pretendi desde que me pus naquela tal boca, desde que não a tirei do pensamento nas noites seguintes...
Não vou temer nem correr do destino. Sei que as coisas não são sempre como esperamos, e justamente por isso se fazem tão perfeitas. Vou por aqui, humilde em minhas falsas expectativas que só aumentam meu sentimento, agindo da forma que o mundo me ensinou e parece que vai se transformando com o passar do tempo, aguardando algum tipo de surpresa previsível, se é que isso pode existir, sem medo de errar, e feliz com os acertos
Mas se um exército que me ama tende a colocar-se na minha frente para fracassar meu objetivo, lutarei até o fim com flores nas mãos.
P.V. 11:07 13/04/10

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A louca


Tocava lá algum tipo de música da qual eu não tinha ainda o poder de decifrar dada a distância que se fazia de minha residência até a caixa de som mais forte, portanto pus em minha humilde cabeça que sairia porta a fora e partiria rumo ao fervo de pessoas que se aglomeravam, embriagadas e felizes, a curtir tranquilamente o fim de noite do domingo de alegria para a maior nação desse país, vermelha e preta.
Mas sabem também dessa minha vida muito carente e do quanto não consigo estar completamente sozinho, uma vez que as lágrimas rolam intensamente pelo meu rosto sempre que uma ocasião assim acontece, daí o motivo de eu ter adentrado nessa caixa quadrada da tecnologia moderna e deparado meus olhos totalmente nus com o rosto da moça Blenda.
Duas pessoas sozinhas num domingo à noite é um desperdício muito grande e resolvemos, então, partir rumo ao tal Pagode da Amizade. É bem óbvio que eu sei das coisas e de nossa forma humana, deixando de lado qualquer coisa parecida com automóveis, mas a parada obrigatória em minha cobertura para abastecermos nossos tanques foi realizada de forma plena enquanto sumia degavar o líquido cor de sangue de dentro daquela garrafa verde e estranha. E fomos afastando o frio...
Veio o amigo Allanzinho, inseparável irmão que não nasceu de meus pais, e pudemos, somente então, depois de já bem alimentados do suco de uva, sedentos por um pouco mais talvez, subir a tão longa ladeira até que o som das músicas que se fazia, antes, distante, ficasse mais próximo, quem sabe até mesmo íntimo.
A emoção toma conta do meu corpo nesse instante, pois lembro-me que depois de muito sem encarar o céu lindo que sempre nos foi de costume, pudemos admirar as lindas estrelas penduradas no infinito negro de uma noite tão bela quanto o mais perfeito quadro já pintado. Como fosse o céu noturno uma grande aquarela, um Monet, um Picasso, quase uma negra Monalisa... e as lágrimas caem agora pelos meus olhos umidecendo de leve minha boca, encerrando um pouco menos a leve e notável ressaca do dia anterior. Porém escondeu-se a Lua... fato curioso. Talvez fosse ciúmes de termos aqui no chão, Blenda com mais brilho e beleza...
Sorria, Blenda, sorria...
Sabem, os senhores, que quatro meses é uma eternidade. Na verdade, quatro meses é tempo suficiente para que coisas realmente incríveis aconteçam. Em quatro meses, tivemos o Natal, tivemos o Ano Novo, o fim de uma década e início de outra, tivemos o Carnaval com todas as suas facetas de amor proibido da carne e aquela libido, todo aquele tesão que se libera nesse espaço de tempo do ano, tivemos uma ou duas micaretas, tivemos alguns shows, tivemos até mesmo a Páscoa com seus ovinhos de chocolate. Só não tivemos o amor... Quatro meses são quatro meses e não deve se discutir, muito menos divulgar. Tanto quanto novas calcinhas...
Blenda, a louca, vai mostrando aos poucos o seu lado artista, seu lado de humor excessivo, principalmente depois que ingere alguns bons goles de álcool da melhor qualidade e ainda mais ao lado de presenças ilustres de senhores da mais alta índole como Allanzinho, Vittinho, Gugu, entre outros... sem mencionar, é claro, a chegada marcante de sua amiga, dividida entre amor e ódio, ciúmes e raiva, gritos e escândalos enquanto eram comidos alguns belos pastéis cariocas...
O pagode ainda tocava no instante da despedida, mas a saudade se faz necessária pra que os próximos eventos sejam melhores... e que quatro novos meses não se repitam...
P.V. 09:11 12/04/10

domingo, 11 de abril de 2010

A onda está certa


Minha avó já dizia, e eu nem dava atenção a ela, que quem não tem colírio tem que usar óculos escuros, que quem não tem filé tem que comer pão e osso duro, quem não tem papel dá o recado pelo muro, quem não tem presente se conforma com o futuro. Tolo que eu sou, sempre nas minhas graças excessivas, deixei passar o ensinamento de quem mais sabe pela própria experiência da vida e tudo mais que se pode conseguir com o tempo maior de estadia por aqui.
Mas eu nem me incomodo pois, na verdade, a única certeza dessa vida é da onda que vem batendo cada vez mais forte nos últimos tempos para mostrar que está viva ainda, antes que algum desalmado, ou melhor, uma desalmada venha e faça acabar com tudo, talvez jogando areia em cima da água, talvez empurrando pra longe a Lua, mãe das marés.
O mundo está gritando tortas conversas, mentiras exageradas, mexendo em demasia com a ira de um presidente e agora sim, tudo está no seu lugar. Devido lugar que de onde jamais deveria ter saído, não fossem essas férias super longas onde fui o mais forte entre os fortes, onde sempre que me chamavam e eu já estava lá pronto para aceitar o convite, mas hoje? Hoje não, hoje eu me remeto ao tempo em que sentia baterem de leve nas minhas pernas as ondas e podia enxergar ao longe um horizonte que me botava medo, podia ver que o mundo era tão grande e eu tão pequeno para lidar com ele que me reduzia a minha pequenez deixando que a vida agisse enquanto eu me escondia, naqueles tempos em que eu me deixava de lado para com responsabilidades, para com diversões exageradas que pudessem me prejudicar, naqueles tempos em que eu pulava desafios, passava missões, inventava desculpas..
Eu estava completamente errado, e a onda não. A onda ainda me mostra o rumo a seguir pois sei que ela não faz curvas em seu caminho, sei que ela se propõe a um destino e só morre depois que cumpre seu papel de onda ser, depois que ela quebra na praia, talvez batendo nos pés de algum louco tal qual esse que vai escrevendo agora.
As possibilidades foram mostradas, as idéias foram lançadas, as mentes que me cercavam puderam entender o que eu tinha, as palavras foram bem colocadas e nasceram sorrisos naqueles rostos jovens que eu encarava com vontade, tudo se repetiu para me mostrar logo depois que ali deveria ser o meu lugar ao contrário de tudo aquilo que eu venho perseguindo. Aquela onda bateu de leve nas minhas pernas e num primeiro instante eu não pude ver com olhos abertos a verdade escondida de um fato concreto. Mas, outra vez, as mal escritas frases que vazam de meus dedos puderam me mostrar que o certo não se mistura com nada nessa vida e deixe, então, que a vida grite em outros ouvidos diferentes do meu, deixe que as meninas mimadas desse meu tempo sintam algum tipo de vontade tal qual a minha, deixe que a onda bata mais um pouco em mim e vá me descobrindo cada vez mais, deixemos que as balas perdidas voem no espaço sem vontade de cair, enquanto eu fico por aqui, pensativo ou não, saudoso ou não, interessado um pouco mais naquela água salgada que tomou meu corpo na última noite...
E o copo de café continua do meu lado...
P.V 09:29 11/04/10

Evidências

Vem aqui que eu vou te dar um beijo.
Juro que minhas intenções são das melhores quando começo uma crônica pelo título, mas ainda que não haja nada de parecido com o conteúdo, não volto atrás para mudar, uma vez que o pensamento mandou naquele instante, e ordens de pensamento não podem ser burladas, com o preço a se pagar muito caro por um erro cometido como esse.
Pois bem, se eu chamo, nada mais justo do que vir, e com um sorriso no rosto, se possível. Talvez até com uma ponta de felicidade por eu ter chamado, talvez com o orgulho estourando dentro do peito (pequeno ainda) por se ver ali tão minha, em meus braços, em minha boca, ou algo mais também, por que não?
Certas vontades que meu ego têm se cumprem perfeitamente por essas pequenas que estão por aí jogadas ao léu com o mesmo intuito que eu. Essa vida estranha que sempre levei e não parece ter fim é o motivo pelo qual, a partir de uma data qualquer, fez meu sorriso renascer em meu rosto.
E lembro mais uma vez das evidências... que seja...
Se forem evidências o que restou no local, eu posso fazer o favor de procurar, mas admito que não ficou quase nada a não ser um pouco de perfume no ar, a não ser algumas palavras que deixam ainda o seu eco pelo pouco espaço que há lá dentro, a não ser algum tipo de saudade dentro do coração dela.
Ausento de mim mesmo todo tipo de sentimento só pra que eu mantenha minha característica de não egoísmo em querer ficar com todo o amor que poderia nascer de uma relação. Então deixe lá que ela gaste tudo em seus sonhos incríveis, deixe lá que ela tenha as mãos dormentes de tanto usar com os pensamentos pederastas, deixe lá que as lágrimas rolem pelo seu rosto até que o exagero de minha falta lhe faça me esquecer. E o sentimento? Vai por um outro ralo...
Tentei de várias formas, algumas vezes até mesmo me isolei para não fazer esse tipo de coisa, uma ou outra ocasião me embolei em relações sérias, deixei escapar ‘eu te amos’ pelo canto de minha boca fazendo brilhar alguns pares de olhos na minha frente, mas a curva depois da última esquina sempre me mostra o mesmo fim. Não há como escapar de coisas assim, não há mais como ser diferente, até mesmo aquela que pareceu ser dona do meu sentimento poderia ter seu rosto manchado pela maquiagem dos olhos depois que caíssem algumas gotas com gosto de ameixa. Ameixa? Talvez sorria duvidando...
Falei ali num outro dia que ia tirar meu time de campo, pendurar as chuteiras. Me aconselharam a pendurar as cuecas. E vi que foi bom. Deus que me perdoe...
Pois bem, encontremos então a razão. As evidências são o fruto de uma conseqüência justa e limpa de qualquer acerto. Na verdade, as evidências são aqueles fatos que ficam depois de uma cena de crime. Não sei se pode haver crime nessa vida por amar, não sei se o amor deveria nascer aqui ou lá, não sei qual o motivo de eu abordar tanto uma palavra da qual não sei o significado.
Talvez sejam evidências de uma eterna luta para com um sentido, talvez sejam evidências essas minhas palavras, talvez venham algumas pessoas curiosas para ler e analisar algum tipo de prova contra mim...
P.V. 09:57 11/04/10

Rock das aranhas

Quero fazer uma homenagem ao não contato das coisas, assim como disse o príncipe das trevas, aquele tão formal e íntimo da minha pessoa, quero elevar, ao maior patamar, as palavras que ouço e perpetuo dentro das minhas letras mal escritas nessas manhãs intermináveis onde o sono foge de mim depois de um ou dois copos de café forte, tão forte quanto a intenção de se criar uma verdade que não existe.
Pois o não contato das coisas é, para mim, a mais pura verdade que já pôde caminhar sobre a face da Terra, se é que sentimentos tão abstratos tem essa capacidade de se locomover. Pois se o contato não se dá, muito menos a verdade. Enxerga-se um bom paralelo, uma boa metáfora, qualquer coisa que a gramática normativa explique, qualquer tipo de palavra que a maioria das pessoas possa não entender como um eufemismo, como uma falsa antítese, como qualquer uma dessas coisas que também não existem...
A gente vai procurando algumas coisas para se seguir, um rumo para tomar como certo, não por saber que se vive uma vida errada, mas só para mudar um pouco o foco do que ia acontecendo, e de repente, de tanto procurar, como diz o ditado, a gente encontra. É tão banal achar tão rápido que toda a graça se esvai como água podre num ralo do chão... pior ainda é chegar à conclusão justa e clara que é perfeição que adentra nesse ralo sujo, pronta para se poluir grandemente depois que sai de mim.
E ainda há quem diga que minhas palavras são de convencimento e presunção. Mas são desses cegos que não enxergam um palmo a frente dos olhos e encaram a superficialidade de um parágrafo sem analisar friamente seu conteúdo, são desses que me concluem ao me enxergar numa foto de álbum num perfil de internet antes de conhecerem tudo que ainda tenho guardado para oferecer a quem possa merecer. A imagem que me representa não mostra a essência do que eu penso.
Tanto quanto o não contato das coisas, tanto quanto a formação da sociedade por Deus, uma homenagem ao que foi criado e essa forma estranha que nós, humanos, inventamos de inverter a ordem lógica do que existe, talvez só para confrontar, talvez como adolescentes eternos a discordar de tudo. Como fosse aquela árvore da ciência e do mal que possui os frutos mais gostosos que essa cobra maldita e amiga oferece a mim, ingênuo, e a você, boba, para comermos com toda a fome...
É plug com plug, tomada com tomada. Tudo errado e ninguém enxerga esse tipo de coisa.
Só uma homenagem ao não contato das coisas. E mais nada. Tende ao lado do meu corpo, ainda, essa mensagem de sentimento que me foi chegada ainda nessa manhã em forma de pensamento, talvez aos meus olhos, talvez ao meu coração, e ouço, calado, cada uma das palavras que me são gritadas e entendo, insano que sou, a expor também a minha colaboração ao mundo desde que foi decidido, não por mim, que o não contato das coisas deveria ser o melhor modo de não sofrer, o não contato das coisas e essa distância toda entre o que deveria estar junto é a ferramenta mais fácil de se usar desde que abrimos nossa caixa de Pandora ou qualquer outra porra que preferirem...
Vou aqui com meu copo de café mais uma vez só pra afastar o sono, como se fosse mais uma forma de não contato entre mim e os sonhos que insistem em me fazer feliz...
P.V. 09:08 11/04/10