segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Seu sorriso


Foram seus olhos que despertaram meu interesse desde a primeira vez que os encarei? Não, você sabe que não...Por mais que brilhem de forma intensa, por mais que digam-me tudo que sempre quis ouvir com um simples lance de vista, por mais que sejam dessa sinceridade ingênua que é característica toda sua, não foram eles que me deixaram assim, feliz só de existir.

Seu sorriso é o culpado pelo que sinto, seu sorriso é o dono da minha verdade escondida há tanto tempo. Todo o desperdício que tive agora parece tão inútil e esquecido que vejo o quanto perdi sem que encarasse de frente, sem que pudesse olhar um sorriso tão puro e lindo quanto o seu. Meu reino, toda a minha vida pra que uma simples anedota que parta de mim possa desencadear uma risada solene que só você pode dar. Rindo pra mim, eu me apaixono por você.

E como explicar algo que ainda não foi visto, algo que ainda não foi encarado? Simples... sonhos são parte da realidade que um homem repleto de fantasias necessita pra enxergar aquilo que ainda não foi visto. E não tenho pressa de encarar a realidade logo de uma vez até mesmo porque vou continuar aqui sonhando o maior número de noites que eu puder. Lá nos sonhos sou dono de mim, evito dores desnecessárias e continuo encarando da mesma maneira o seu sorriso único.

Medo de sofrer é algo que já deixei de lado, mas sempre continuo com dois pés atrás, correndo de qualquer paixão não correspondida que possa me ser lançada. Desvio-me loucamente de todos as flechas venenosas de amor que o Idiota Cupido tenta me atingir só porque nesse exato momento não possuo a minha fórmula anti-amores dolorosos. Estranho demais pra mim uma coisa dessas: como pode um sorriso fazer doer?

Claro que não, devo estar pensando muito em coisas desnecessárias. Vou continuar a vida do mesmo jeito que antes, e não serão simples palavras em caixas eletrônicas que me farão desviar do foco que pretendi e escolhi há algum tempo.

Mas a vontade de ter aquele sorriso todo pra mim é maior que qualquer consciência de pós adolescente confuso.

P.V. 09:03 28/12/08

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Um círculo a girar

A vida voa sem destino certo num mar de indecisões
que culminam em tristeza alheia.
Uma tolice, um pensamento perdido entre dois corações
provoca a dor refletida e feia.

Esse homem sofre por dentro o que não mostra por fora
e assim segue o caminho ocultando a verdade.
Amores e ilusões, a borbulhar de hora em hora
trazem o riso, mas também a saudade.

Ridículo por assim ser, mostra-se alguém mentiroso
a tal ponto de não saber o que deveras sente.
Lágrimas vão correr em um lindo rosto choroso
que molha mais uma face como antigamente.

Mas o homem é digno e continua a carregar sua cruz
de não ter um saber, não ter conhecimento.
Acredita no poder sagrado que é nossa única luz
forte e impiedosa a levar a dor com o vento.

Mais uma vez se perde com a complexidade e mesmice
que afeta o próximo e traz receio.
Com os olhos molhados, decidido, o homem disse:
“Jamais farei isso novamente, eu prometo e creio.”

Mas a vida é cruel e impõe todo tipo de limite
que testa a garra de quem faz o bem.
Sozinho no mundo, com sua fé, o homem resiste
e foge com raça de qualquer alguém.

E então quando sentia que estava com a alma em paz
regada de graça e embebida na alegria
Teve que perceber todo o mal que lhe faz
a obrigação que o chama dia após dia.

Viu-se triste outra vez no amor e agora nada mudara
pois o presente insiste em repetir o passado.
Aquela felicidade eterna que todos dizem ser rara
provou que não é simplesmente um ditado.

Vive de novo a antiga, indesejada mesma situação
que é tudo o que nunca quis.
Outros homens, terras e mares passarão
mas a intenção será sempre de ser feliz.

P.V. 20:09 07/11/08

Me enterre

“Venha, acabe comigo. Eu estou farto de você. Você está me matando. Eu tentei ser outra pessoa, mas nada parecia mudar, eu sei agora, este sou eu mesmo por dentro. Finalmente me achei, estava procurando por uma chance, mas sei agora quem eu realmente sou. Venha, acabe comigo. Me enterre.”
Nada disso, pura mentira, qualquer coisa que se diga, qualquer coisa que saia da minha mente não passa de puros impulsos de energia desperdiçada com coisas ainda mais desnecessárias. E é justamente isso que move a vida, aquilo que não tem necessidade, materiais supérfluos que fazemos tanta questão de ter, de usar. E quando usamos algo que não é material? Sabemos as conseqüências terríveis que podem suceder certas atitudes e mesmo assim adentramos nesse caminho sem volta onde o único destino é a dor. Usamos de modo exacerbado tudo que nos convém, tudo que fazemos questão de usufruir pra tapar um buraco de vaidade por dentro. Na verdade, nunca se pode esconder o Sol com uma peneira; mesmo assim continuamos a acreditar em tudo que não nos dizem, tudo em que nos pressionam a fazer mesmo contra a vontade, tudo que um dia podíamos ter pensado correto, cai por terra quando a vontade de agradar ao próximo é mais forte que a razão própria.
E continua-se a crescer nesses momentos em que o erro é visível por ser mais forte que qualquer outra cor que esteja estampando o cenário do crime. Eu cresço em toda hora, é verdade. Talvez esse tipo de coisa não esteja muito ligada a minha pessoa por eu ser assim, esquisito, por eu ter pensamentos velhos, por eu ser antiquado a tal ponto de que pessoas da minha idade não entendam aquilo que quero dizer. A maior sinceridade fica exposta quando eu digo que sou complexo por natureza, que não tenho a mínima noção de qualquer coisa que esteja acontecendo só por não querer mesmo saber, pra querer evitar qualquer tipo de sentimento. A probabilidade de alegria é proporcional à de tristeza. Quem não joga não perde. Quem não joga não ganha. Brinco só se for pra ganhar.
Por isso mesmo que quem está em volta, quem circunda o palco, quem atua como coadjuvante nas cenas improvisadas que eu dirijo, sempre acaba perdendo, sempre se surpreende com algo que já era esperado, com a licença da contrariedade. Toda essa contradição me deixa bobo pois é simples, e todos estão cegos. Não enxergam tudo que eu mostro a cada segundo, não entendem as piadas, não prestam atenção numa aula qualquer que esteja acontecendo naquele momento, perdem-se desorientados por querer saber mais do que a cabeça pode conseguir. Tolos.
E estou muito novo pra morrer. Estou muito novo pra agüentar todo tipo de calúnia desmedida, mentiras insinceras, tristezas desnecessárias, fofocas particulares, bobeiras que me atingem sem dó nem piedade no incrível circo de exageros que eu mesmo formo em minha volta só pra poder ter o que dizer quando o sentimento fica maior e resolvo explodir pra fora pra não queimar por dentro. É tudo muito triste, mas é verdade. É tudo muito complicado, mas tentarão entender. Por mais que não entendam, o que importa é a minha cabeça. E a confusão que tá aqui dentro, em um instante vai mudar pra dar lugar à ordem de sempre, ao rumo certo das coisas que não estão mais seguindo o caminho certo.
Cavando a própria cova, não posso nem tenho tempo pra fazer outras coisas mais importantes. Imagine que a vida corre e continua correndo, a maior certeza que tenho dessa vida é a morte. Depois dela, nada há. Se eu passar minha estadia por esse mundo, cavando o próprio buraco onde vou descansar quando nada mais houver, será um desperdício imenso tanto por aqui quanto por lá. Por isso mesmo que a intenção é deixar tudo rolar e que alguém faça esse trabalho por mim. Têm ótimas funerárias que tratam muito bem dessa parte indesejada enquanto aproveitamos a vida de outras maneiras. Por um preço justo, estamos segurados em relação à morte. E que, quem saiba fazê-lo, enterre-me do jeito que preferir.
P.V. 17:18 03/11/08

sábado, 25 de outubro de 2008

A catapora

Chegastes de mansinho
como quem nada quer
Me deixou em desalinho
da cabeça até o pé

Ai catapora
Por que não vais embora?

Tomou conta do meu corpo
e continua a me usar
Por fora pareço morto
com pereba em todo lugar

Ai catapora
Por que não vais embora?

De mim não teve pena
muito menos compaixão
Perebas grandes e pequenas
vejam que situação...

Ai catapora
Por que não vais embora?

Doença sem vergonha
que demora pra sumir
Minha vida tão risonha
já não mais a vejo aqui

Ai catapora
Por que não vais embora?

O repouso é o remédio
que o doutor recomendou
Mas repouso é um tédio
e a doença não passou

Ai catapora
Por que não vais embora?

Um dia vamos lembrar
do que aconteceu
E quando esse dia chegar
quem vai rir primeiro será eu

Ai catapora
Por que não vais embora?

P.V. 12:09 25/10/08

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Material mastigável com fruta que engorda e faz crescer - Parte I

Olha que eu tô saindo, tô passando e não vou sequer me importar se eu levar todos comigo durante a minha ronda pela noite. O transporte é precário, a viagem é longa, mas nada se torna triste pois nós temos toda a alegria pela frente, temos toda a madrugada pra tocar em diante esquecendo de vez as mazelas que se deram enquanto o dia se fez presente, interminável em sua plenitude chata.
Do mesmo jeito que eu já tinha lembrado, o fim da provável tristeza se deu de forma ainda mais rápida, sabendo que um líquido sagrado estava em nossa posse, sendo deliciado aos goles mais leves e delicados que um homem pode dar naquilo que foi chamado até mesmo de sangue, tão vital pra todos...O dia é normal, na verdade... o dia poderia ser no mínimo comum se não fosse pela atenção dada a essa data tão importante pra nós, seres imperfeitos que fazem da vida algo que é curto e breve, algo que vai acabar e se não utilizarmos da maneira mais proveitosa tornar-se-á um arrependimento da maior escala já sentida por um coração fraco, como o nosso.
Andar solto sem caminho certo é das coisas mais maravilhosas que podem ser feitas por pessoas que são assim, detentoras do poder do prazer mútuo e para/com terceiros. Aquela fumaça talvez tenha sido usada só pra enganar quem passava, talvez tenha sido pra criar uma camada de obscuridade em nossa volta, talvez tenha sido usada pra criar o ambiente que mais tarde seria utilizado da melhor forma possível. Opções de uso são várias, mas a forma de utilizar é que nos prende, é que nos faz sentir a saudade exagerada que só a cumplicidade da amizade pode explicar num desses momentos únicos, esses momentos que nos dão algo em que nos prender durante o tempo de clausura escolhida.
Adentrar é um fato importante e não poderíamos ficar do lado de fora, mesmo sabendo que esse era um local que já trazia felicidades extremas. Só o movimento de semelhantes em nossa volta já pode ser considerado algo diferente em nosso cotidiano, por isso mesmo que digo que tudo que não é normal, torna-se interessante, e é justamente atrás do interesse que estamos.
Um cavaleiro e seu fiel escudeiro cavalgam rumo a um destino que já se dava por certo há tanto tempo. Um destino que sempre foi o mais desejado, aquele que faria brotar das veias o sangue vermelho, rubro, cintilante que é a própria vida exemplificada em algo que pode ser ingerido, é o líquido que já fora inutilizado, e agora faz surtir o efeito em nós. Ou em mim.
A seqüência tá perfeita e o mundo gira rápido enquanto eu ando sozinho no meio da multidão. Mas eu vou ficar aqui a noite toda e não tem ninguém que me faça ir embora até que a última música toque na vitrola do DJ, até que a última batida me faça tremer junto com o chão que é a única coisa que consegue me segurar pra não passar além do mesmo.
Um cavaleiro e seu fiel escudeiro continuam cavalgando no meio de todos os outros guerreiros. Mas a armadura deles é igual e fica difícil pra entender quem é inimigo ou não. Admite-se que todos sejam do bem e assim a guerra termina pra dar lugar à festa que iria proceder a batalha. Com saldo zero de baixas, a multidão invade a farra e tome-lhe alegria por todos os lados. Somos todos da mesma laia e aqui não há espaço pra vaidade. Atitude é tudo que importa nessas horas que marcam a vida pra todo o sempre.
As caixas, donas de toda a verdade que é gritada nesse ambiente maravilhoso, estão jogadas ao léu, estão distribuídas em lugares que não consigo imaginar quais sejam. Justamente por isso, continuo lá procurando sem fim o local de onde vem as ordens que me dão. Cada som que saía incansável daquelas caixas infernais faziam nascer em mim uma nova pessoa, uma nova sensação de puro amor com tudo em minha volta. Sentimento estranhos que não são sentidos todos os dias. Ou melhor, sentimentos que nunca são sentidos a não ser naquela situação única que estávamos vivendo por algumas horas.

Material mastigável com fruta que engorda e faz crescer - Parte II

E idades altas e baixas se esbarravam na alegria eterna que tanto almejamos meses antes pra que justamente agora fossem desfigurados os golpes mais interessantes. Gritos de felicidade eram escutados sempre que passávamos perto de qualquer coisa que se mexesse. Sabíamos que não era por nossa causa, mas a sensação de ilusão compreendida era de tamanho sem igual, e se perguntássemos se era por nós aqueles gritos, diriam com a maior convicção que eram sim. Todos estavam se amando, não havia lugar pra tristeza, não havia lugar pro ócio, pro mal, pra quietude ridícula dos dias normais de sempre. Sentia que ali era meu lugar e de mais ninguém, só meu e de mais ninguém, como um pássaro que redescobre suas asas e consegue, enfim, voltar pro seu ninho, de onde nunca deveria ter saído.
Foi ficando cada vez mais quente, uma temperatura alta que fazia crescer pensamentos pederastas em todos. Pensamento pederastas são da melhor índole que se possa imaginar, contrariando muitos puritanos que imaginam todo o mal que alguém feliz não possui. E a safadeza então chegou, junto com o enxofre quente do que é pecado vindo de baixo trazendo o calor sentido antes. Deus abençoou a alegria, mas manteve-se com os olhos fechados, só por precaução.
Então, os donos da festa, homens que possuem seu nome antecedido por duas letras maiúsculas, os Djs da noite comandavam seus súditos: seres sem destino vestidos com roupas iguais a se remexer das formas mais variadas e velozes. Tocavam leis que deveríamos obedecer ao pé da letra ou seríamos expulsos do local. Ninguém queria ser expulso, ninguém queria perder o bom da vida que era estar ali naquele dia. O DJ dirigiu-se a uma pessoa de idade baixa, mandou um convite que era resumido quase em uma intenção de 2ª. Foi assim que eu pude escutar: “Alô novinha, eu vou te levar pra trás da equipe...” Podia haver um tanto quanto de bondade em sua fala ao declinar esses versos em direção ao povo que pulava alucinadamente na frente ao palco.
As caixas continuavam a dar ordens, certas vezes queriam fazer indagações a nós, pobres mortais. Elas perguntavam: “Como é que ela vai??” Eu respondia: “Vai quicando e mexendo os ombrinhos...” Era uma loucura, toda aquela gente sem medo de ser feliz, pulando e fazendo daquele dia o último, como fosse um único pingo de ar que tentavam alcançar cada vez mais alto, sentindo o som entrar-lhes pelas entranhas como um vírus a lhes consumir a carne.
Bebi, caí, levantei... Foi só um pouquinho de nada, ninguém nem percebeu porque minha discrição sempre foi meu forte. Estava desorientado pelo momento que passava e não lembrava de nada que pudesse me fazer brecar o que meus objetivos almejavam. Como o DJ disse logo depois: “Mas quem é não se esconde, é o bonde do Rinoceronte!” Eu sei que não faço parte dessa cadeia de animais, mas posso me enquadrar muito bem nessa trupe, pois sou e não me escondo. Só falta saber o que sou, né..?
Numa outra caixa de som, queriam saber que porra era aquela... mandavam segurar essa porra, soltar a porra... foi uma verdadeira confusão nessa hora, mas nada que umas aulas práticas não resolvam as idéias perdidas na cabeças das meninas mais desavisadas.
De repente uma aflição tomou conta do povo pois uma das caixas estava dizendo que o tamborzão tinha parado... mas era brincadeira e todo mundo ficou feliz de novo.
São as lembranças eternas que tenho e sempre cultivarei desse dia que nunca sairá de nossas cabeças, pois o que é bom e do bem deve ser lembrado e dito a plenos pulmões, tudo que nós fazemos é algo que devemos guardar e compartilhar com os amigos. Por isso que estou sempre buscando o que ainda não tenho, sempre almejando aquelas histórias que ainda não pude contar. Mas é questão de tempo pra que eu volte aqui e bote em dia as aventuras de um cavaleiro e seu fiel escudeiro.
P.V. 17:30 17/10/08

A filha do vento

O desespero de um homem arrependido pode ser traduzido em palavras ou não. O olhar sincero de quem não consegue mais dormir, de quem não pensa em outra coisa que não seja o rosto da amada, mumificado em verdades inexistentes, paradigmas de vidas que já se foram, ilusões do coração que fazem de tudo pra que acreditemos que aquilo que foi sentido será pra todo o sempre. Tudo isso pode exemplificar e mostrar a total agonia implícita na tristeza de quem ama e não é correspondido. Assim como sou eu quem diz a verdade sempre que o meu maior medo toma conta de mim, aquele medo descomunal de encontrar-se só.
Então fico sem ação, fico mudo perante todos os gritos que se chocam contra mim. Sou um desfiladeiro sem fim a crescer sem parar, não medindo esforços a tentar cruzar o infinito só por saber que é lá que ela se encontra. Vivo de extremos depois que a paixão tomou conta de mim e da mesma maneira que sei como correr ao encontro dela, também posso manter-me estático, inerte ao que possa vir de qualquer lado; assim como permaneço parado a olhar pro mar.
É a mulher dos meus sonhos que emerge das águas profundas, mas ninguém vê. Só eu consigo enxergá-la daqui pois meus olhos foram dedicados a ela, são simplesmente olhos que não miram outra direção a não ser um simples movimento que seja que parta daquela direção onde a vejo tão distante, e ao mesmo tempo tão perto. Posso tocá-la se esticar meu braço, mas o medo que sinto faz com que meu braço seja tão pequeno que jamais conseguiria fazê-la me notar.
Seus cabelos voam livres em desalinho por não terem a quem dar satisfações, voam simplesmente por não sentirem a vontade de continuar presos. São seus cabelos que fascinam e alienam meus olhos nesse redemoinho de ventos que parece tão íntimo dela. Como um pai que acaricia o rosto da filha, faz arrepiar os sentidos de leve passando a proteção tão desejada, é o vento a soprar delicadamente pelos seus fios negros a dizer palavras doces com um sussurro leve nos seus ouvidos. Como sinto inveja do ar que anda solto a tocá-la em todo momento.
E sua voz? O agudo nunca existiria sem o grave. Fatos como esse podem muito bem aumentar minhas esperanças de ser feliz. Sua voz suave bate forte dentro de mim como fosse as ondas desse mundo de água a se mover lentamente. De repente crescem dentro de meus ouvidos como verdadeiras trombetas de alegria e pesar misturando os sentimentos num vai e vem que lembra os próprios movimentos da maré, casa de sua perfeição exacerbada. A propagação de qualquer tipo de som é um tanto quanto frustrada pelo vento que não tem um destino certo e continua a soprar sem direção.
Então, calado no meio desse frio, imponente continuo a te admirar de longe, mesmo sabendo que minha presença não é notada pela sua. Sei que a ingenuidade não é fato gracioso e de se louvar, mas do jeito que as coisas andam, jamais conseguirei me aproximar de uma forma que te encante em parcelas mínimas do quanto você já me enfeitiçou. Mas minha vida não é nada e aceitaria feliz, se me fosse ofertado continuar aqui pelo resto dos meus dias a te observar, a te ver surgindo devagar todos os dias da mesma maneira, com a mesma beleza intensa que somente seu rosto pode me proporcionar. Mas isso durará o tempo que for necessário. Se uma vida for necessária, que seja.
E eu não sei tirar minha mente de você, até que eu ache um outro alguém.
P.V. 16:09 17/10/08

A tolice já se foi

Não vou dizer que foi ruim,
também não foi tão bom assim.
Não imagine que te quero mal,
apenas não te quero mais...


O tempo sempre se encarregou de fazer valer tudo que incomodou nosso momento e agora é chegada a hora de dizer adeus; assim sem querer dar desculpas, simplesmente aceitando uma opção feita pelo próprio destino. Coisa simples, se não levarmos pro lado sentimental e deixarmo-nos levar por toda a mentira amorosa que sempre cercou nossa relação. Se quiser um conselho de minha parte, me esqueça pra sempre, faça questão de não lembrar de mim e, se possível, apague todas as memórias que um dia possam te fazer lembrar de qualquer coisa parecida comigo.
Nunca quis seu mal, mas em certos momentos a tristeza já não tem mais como fugir ao nosso alcance e desde que o mundo é mundo, pra se ter alegria em um rosto é preciso que lágrimas rolem em outro. Seus olhos ainda vão sangrar muito, mesmo depois de ler tudo isso, ainda brotará muita água e o vento do futuro se encarregará de secar o que vir a molhar sua face. É assim que as coisas acontecem, então tente entender e aceitar que nem sempre podemos ter o que tanto queremos.
Sei que negará até o fim seu sofrimento devido a um certo pingo de orgulho que ainda se mantém vivo dentro de você, mas é inútil tentar enganar a si mesma. O quanto antes conseguir entender que nada do que tentar fazer irá me trazer de volta, logo entrará em novas aventuras do coração, pra mais tarde sofrer tudo novamente. É um ciclo vicioso que não termina nunca, e as escolhas são feitas por você mesma. Tudo que planta, será um dia colhido. As sementes podres de suas atitudes darão frutos estragados por essência. O destino óbvio pra sua conseqüência é o lixo.
Mas ainda há tempo de se reabilitar e tentar mudar o que ainda não aconteceu. Ninguém deve desistir de um sonho, por mais que essa ilusão ainda não tenha sido idealizada. Você verá que durante o espaço de tempo que ficamos juntos, todas as coisas realizadas por nós foram devidamente explicadas com palavras que não lhe atingiram, talvez por falta de atenção, talvez por ignorância; e acredito mais nessa última hipótese.
É tempo de abrir os olhos e enxergar aquilo que tua pessoa nunca foi capaz de entender. Sei que será difícil pois a simples verdade do que não existe é deveras complexa pra sua mente, mas todo o esforço deve ser feito pra melhorar de uma vez por todas a aparência de alguém que tenta “estar”, e não “ser”.
Fútil e inútil rimam e são as palavras mais adequadas a você se alguém tivesse a coragem de lhe dedicar uma música. Pode ser que nem mesmo perceba o quão notória é a sua vida vazia, mas é justamente isso que acaba me fazendo vir aqui agora dizer tudo que percorre meu ser. Não se engane em pensar que simplesmente quero fazer de você uma miserável triste que está agora sozinha no mundo e ainda tem que escutar palavras tão duras como estas, mas o que digo sempre é pra fazer algo nascer dentro de você e, enfim, poder dar continuidade na sua vida sem que o medo de mais um fim se encontre diante da sua realidade.
Dizem que uma mentira bem contada equivale a um sofrimento poupado, mas sou sincero ao dizer que todas as mentiras destinadas a você foram os tijolos que construíram o castelo de ignorância e inocência que vejo sempre que te encaro. Muitos desses tijolos fui eu quem colocou e posso dizer com total segurança que não me arrependo de nenhuma das vezes que te enganei e continuei ileso por saber que você não desconfiaria. Continuo te enganando e você não sabe. Talvez assim, possa ser o mais direto possível e dizer o que realmente penso, ou não. Sua cabeça continuará voando como sempre, mas a minha intenção foi nobre ao dizer tudo que precisava ouvir.
Antes de mim você era tola e não sabia. Hoje, agradeça-me por saber que a tolice também faz homens apaixonados, como eu.
P.V. 15:27 17/10/08

Tudo que vai, um dia volta

Deveria saber que está vivendo uma mentira; deveria ter a consciência de que o que vem também volta. Não é pelo simples fato de achar errado descontar em pessoas que não merecem sofrer que farei de minhas ações algo mais pensado, algo que seja no mínimo mais confortável. Vou fazer tudo do jeito que está programado pra acontecer, sem distinção de bondade alheia, sem formas que possam diminuir a dor de quem quer que seja a implorar pra que eu tenha piedade no coração. Cansei de ser bonzinho e ter a cabeça no lugar naquelas horas em que mais sou ameaçado por tudo que me cerca. De vítima, passo a ser o culpado. E o serei com muito orgulho, de cabeça levantada, encarando de frente qualquer tipo de julgamento que me aguarde.
Vou pra cima e não tem nada que me pare porque o topo foi feito pra mim. O topo tem um nome e é nesse pedestal que eu ficarei até o fim. Sou a maldição reencarnada que possui intuitos simples de modificar tudo e todos. Sou um mal necessário que só traz a paz pra quem não merece. Pode ser que tudo de equivocado nesse mundo esteja personificado em mim, então ando por aí com esse pensamento terrível de acabar errando sempre que tento acertar. Mas não tenho pena de mim, não preciso de pena, nem de mim, nem de mais ninguém. Pois sou só e vencerei só. Nunca precisei de nada nessa vida pra poder andar, pra poder seguir meu caminho rumo a qualquer lugar que me tire dessa situação.
Vocês querem alguém que aqueçam suas noites, um braço protetor pra passar as tardes, uma palavra engraçada quando a tristeza chega nas horas mais inconvenientes. Até agora eu fiz o papel de um personagem que agradava a todos, um grande quebra galho pra todas os momentos, mas nunca fui recompensado pelo trabalho árduo. Tudo tem um fim e dessa vez não será diferente. Daqui em diante as coisas andaram de forma mais direcionada a mim, de uma forma que me deixe mais feliz que os outros.
Serei egoísta até o fim de minha curta vida, serei tudo o que nunca fui só pra experimentar as essências interessantes do que é novo, daquilo que nunca experimentei. O mundo é todo diferente a partir de agora e estou preparado pra conhecer tudo o que me aguarda, sou um verdadeiro felizardo por ter tudo de novo na minha frente pronto pra ser utilizado da forma mais exploradora e ambiciosa que já pensei. Um rei. Um imperador a conquistar tudo que vir pela frente sem piedade, sem pena, sem medo de ser feliz pela primeira vez na minha vida.
Mas assim que tudo se acabar, estarei aqui de novo, largado e triste por não saber mais o que fazer, por tentar achar mais uma nova ideologia de vida, por ser o mesmo ignorante e inútil de antes. É um círculo fechado que não tem caminho diferente a não ser a frustração de não ter pra onde ir. É a tristeza estampada em meu rosto que faz de mim mais um nesse mundo sem fim onde todas as máscaras escondem o que não querem mostrar. A sinceridade foi perdida e estamos sempre procurando algo em que nos apoiar, uma mentira que possa trazer alegria momentânea, um sorriso falso que seja eterno por um instante. Então, num segundo posterior, tudo irá ser daquela mesma maneira tediosa que tomava conta do lugar algum tempo antes. Estou cansado de toda essa repetição, cansado e sufocado com tudo que se desenrola em minha volta. Quero algo pra vida inteira, algo que não me deixe arrependido, algo que me faça feliz de verdade como nunca fui.
E chega de drama por hoje.
P.V. 16:26 17/10/08

O ócio eterno

É chegado o momento em que tudo já não pode mais ser guardado, o momento final, o momento derradeiro de um dia inteiro de tanto pensamentos estranhos e sem fundamentos reais que possam ser traduzidos em algo que seja útil pra mim. Talvez uma incrível contradição de termos que não fazem o menor significado nas mentes alheias, e nem mesmo é esse o intuito de minhas ações.
Têm certas vezes que ouço alguma coisa e vejo que é tão banal e ridículo aos meus ouvidos que minha intenção é responder qualquer palavra só pra não ficar calado e depois desse pensamento continuo imóvel acreditando que realmente disse algo, mas da minha boca não saiu nada. É estranho pois continuam a me encarar como pedissem, implorassem por um diálogo, porém não é nada que me encha os olhos então prefiro ficar quieto, aproveitar um instante de silêncio, desfrutar de um segundo que seja livre de todo barulho inútil que sempre fura meus ouvidos. Só um pouco sem dor, só um pouco pra que eu possa escutar algo diferente.
Certos dias de calor me deixam pensando em coisas que sempre quis evitar, coisas que tenho total e absoluta certeza que trarão tristeza ao povo que me cerca. Sei que a realidade é dura e deve ser encarada, mas talvez seja uma burrice fazer apostas ao vento, deixar-se levar por pressões do destino, arriscar num jogo tão perigoso. A gente pode perder muito se não tiver consciência do que está fazendo. E é assim que encaro tudo quando passo por problemas grandiosamente pintados de exagero. Qualquer pingo de chuva que seja me molha por completo.
Andei correndo pela minha mente e não cheguei a lugar nenhum. Exponho, contrariado, as minhas idéias e continuam sem me entender. Isso é algo que deveria evitar ao máximo pois quando canto meu pesar a alguém, entendo ainda mais a minha dor, enfio ainda mais profundamente a faca na ferida aberta. O nada nunca teve tanto conteúdo como nesses últimos dias.
Tenho seríssimos problemas com o ócio. Fico aqui encarando eternamente as paredes, conversando com os móveis. Eles agem do mesmo jeito que eu e não me respondem, talvez pra me mostrar como é sentir-se assim, rejeitado; ignorado é a melhor palavra.
Nada que tentem fazer consegue dar jeito. Somente eu, levantando o rabo daqui e partindo pra vida poderia mudar o que não pára de crescer. Sorrisos alheios não provocam o meu e justamente por isso não desejo felicidade a ninguém quando a minha está sendo afetada. Talvez seja um sentimento de egoísmo, talvez seja até mentira, mas é o que rola por dentro de mim e não sei dizer outra coisa que não seja aquilo que mais se aproxima da verdade.
Um ódio sem tamanho brota dentro de mim sempre que insistem em que explique coisas que jamais conseguiriam entender. Por que motivo/razão o mundo não se contenta com o que tem e se dá por satisfeito com o que já aprendeu? Por que não me deixam em paz por um só instante? E por que será que em certas vezes me esquecem de uma forma tal que parece que minha existência nunca fora notada? São muitas perguntas para serem respondidas e acho, sinceramente, que nenhuma das respostas me deixaria mais feliz.
Encerro minhas atividades por não agüentar mais descobrir cruéis verdades sobre meu pequeno mundo.
P.V. 16:35 17/10/08

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Só um testemunho

Ainda bem que eu vou morar no céu. Ainda bem que eu não vou pra nenhum outro lugar que não seja o firmamento, que não seja o lugar que eu mereço ir, o lugar que estou destinado a ir, porque Deus é comigo, Deus é por mim. Ainda bem que tudo passou, tudo já faz parte do que não existe mais e o presente reflete o que o futuro me guarda: uma moradia no reino dos céus. Ainda bem que eu vou morar no céu, estou livre dos meus pecados, estou totalmente a par do que faz parte do bem e agora sou o que sou, vejo só o que estava destinado a ver, digo a todos o que preciso dizer pra que seus corações também sejam guiados ao céu, morarão junto de mim, junto de Deus, meu pai.
Mas o que é que está acontecendo com o mundo? Esse mundo que não tem fim. Os poderosos estão sendo endemoniados. Mentes brilhantes planejando o mal, fazendo com que todos sejam indiferentes ao Pai, fugindo da verdade, fugindo do que é certo, aquilo que estou aqui pregando. É um vasto planeta recheado de horror por todos os lados, pertinentes homens sem escrúpulos que povoaram a terra, infectaram com toda a maldade a cabeça de quem ainda tentava ser fértil e agora está sem rumo. Eu vos levarei pro céu; comigo; com Deus.
O Bom Deus está voltando e o mundo está tentando enganar aqueles que o Pai vem pra buscar. O mundo tornou-se terrível e nunca mais foi o mesmo depois que Satanás aqui instalou-se pra dissipar o mal entre nós, mas o Filho Jesus prometeu e virá pra trazer de volta a paz aos homens de bem, àqueles que tem o coração puro de ruindades, de toda a podridão que está cada vez maior nesse mundo cão. Eu carrego a minha cruz, eu levo toda a minha tristeza nas costas pra poder esbanjar sorrisos pela frente mesmo sentindo o peso a fazer doer minha coluna; nada disso me impedirá de continuar andando, seguindo a luz que o Pai me manda, o caminho que me foi destinado. Eu vou subir, ainda bem que eu vou morar no céu. Tudo de ruim vai ficar aqui e eu vou subir.
Agora vou cantar uma frase que vai deixar todo mundo escandalizado e feliz com minhas palavras pois eu profetizo, eu digo o que o povo quer ouvir, eu digo as coisas pra que todos fiquem arrepiados e até mesmo possam coçar o bolso de uma forma que joguem dinheiro quando a cestinha passar: Nem Satanás com seus demônios vão nos impedir de subir!!
Ainda bem que eu vou morar no céu. Já não agüentava mais ficar por aqui. Quando eu fazia parte daquele grupo de axé lá na Bahia a vida era tão boa pra mim. Mas é que o sucesso acabou e o dinheiro estava ficando curto pra poder bancar todas as minhas despesas caríssimas, tive que procurar um outro ganha-pão, um que me desse mais dinheiro do que eu já ganhava lá. Mas esse dinheiro é lavado por Deus-Pai, é limpo em nome do espírito santo, é a passagem que estou pagando para o reino dos céus, é a alegria no coração dos fiéis, a tristeza justificada no bolso do crente ao comprar meu CD nas Lojas Americanas, cujo dono também deve ser de Deus. Tudo se completa pois as desculpas podem todas ser explicadas em nome de Deus e não há quem possa dizer o contrário pois a palavra de Deus é única e exclusiva. Ninguém pode com Deus, nem mesmo o Satanás, tão utilizado aqui nos meus shows.
Mas tudo isso pode ser usado pois não preciso pagar direitos autorais ao citar nomes de entidades pra ganhar dinheiro. Eu falo de Deus, falo de Jesus, seus apóstolos, o Satanás, Cão miúdo dos Infernos e todos os seus demônios; toda a Igreja canta minhas músicas que estão bombando cada vez mais e a única coisa que preciso pagar são os músicos da minha banda. Não vem nenhum descendente de Deus ou do Diabo bater na minha porta pedindo dinheiro por eu ter dito o nome deles sem autorização. Assim tenho mais lucro aqui do que lá na Bahia.
E quando falam das coisas que eu usava lá, todas aquelas drogas, toda a promiscuidade e mais alguns desses prazeres da vida, é só eu dizer que estava sendo usado por um demônio, que eu fui enganado pelos encantamentos do mundo, que eu fui hipnotizado por algo desconhecido, mas hoje, perante Deus e toda essa Igreja cheia, eu digo que eu vou subir, que eu vou morar no céu, pois eu aceitei Jesus em meu coração. E é justamente isso que vocês também devem fazer pois nada nesse mundo é de graça. Nem mesmo nossa passagem pro céu, pra morar ao lado de Deus.
Ainda bem... eu vou morar no céu.

“Testemunho de mais um mentiroso.”
P.V. 12:46 14/10/08

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Um copo no bar

Sentado na mesa de um bar, penso em coisas que sempre tive vontade de dizer, boto pra fora todos os meus sentimentos mais escondidos, todas as minhas idéias errôneas. Tenho necessidade de me jogar em palavras desmedidas, argumentos que vão se formando aos poucos e sempre tornam-se frases grandes e sem nexo algum que, nos meus ouvidos, fazem toda a diferença. Consigo achar a chave de tudo que estava precisando. Sem nenhuma intenção de procurar, acaba-se encontrando o que se almeja. E entre um copo e outro, novidades aparecem com cada vez mais intensidade de todos os lados, histórias mais diversas, vidas anteriores que são relembradas em alguns segundos de alegria que parecem ser eternos, querem ser eternos. Sinto saudade de tudo que falo, sinto uma ansiedade louca de querer começar a falar, de interromper qualquer assunto que julgue ser inferior ao que eu tenho a dizer. E tenho muito a dizer.
O copo esconde minha boca, o copo que seguro na mão é meu microfone disfarçado de amarelo. Tudo que digo não se diz a toa, então cada suspiro tem um significado importante no contexto de interpretação, no show que sempre é feito após cada gole. Somos todos reféns de nós mesmos numa prisão domiciliar da qual conseguimos fugir pro bar em certas ocasiões. Lá, longe de toda censura, podemos, enfim, dizer o que pensamos, ouvir o que precisamos, beber o que queremos. Um eterno refúgio de paz pra quem gosta de saber o que anda acontecendo por dentro de si mesmo. Procuro a mim mesmo sempre que as dúvidas exteriores tornam-se mais fortes do que realmente preciso saber. Não é de fofoca que estou dizendo, são fatos que acontecem simplesmente porque é necessário que aconteça e, quando menos se espera, nos atingem em cheio, deixando-nos desnorteados. Sou diferente e gosto de estar preparado pra encarar a bala perdida que tenta me achar.
Sento numa cadeira que parece ter sido destinada a mim. Não cometo pecados de começar ou terminar sozinho pois a depressão que sentiria, a falta de quem se foi, a nostalgia de tempos que julgamos terem sido melhores seria de tamanho enorme, o que acarretaria numa provável lágrima, ou prováveis lágrimas a correrem pelo rosto abaixo. Sinceramente, não sou assim tão emotivo, mas com os efeitos positivos que a cevada causa em nós, torna-se possível que algo do tipo aconteça. Com alguém do meu lado, a moeda vira de lado e seguro-me pra que um julgamento precoce não seja realizado.
Essa troca de experiência, conhecimentos mil que se adquirem em pouquíssimo tempo de conversa fiada, papos totalmente despretensiosos que vão tomando forma e nos levando a assuntos extremamente sérios e relevantes. Justamente nesse momento, devemos repensar o que estamos fazendo, de fato. Pois ali não é lugar de se discutir coisas assim de tanta importância.
Caio na noite, começo durante o dia, não vejo o tempo passar e nem sinto a chuva cair, do mesmo jeito que não sentiria o brilho do Sol me atingir. Tudo perde o tato com a sinceridade de um copo de chopp, com o que ele pode fazer conosco, com a inércia parada de uma batida de limão deslizando por nossa garganta, chorando de alegria ao ser degustada com prazer. Sei que sou um felizardo por ter companheiros fiéis que sabem o que é bom nessa vida, por mais que ainda não tenham sido completamente apresentados.
Vivo em função de ser feliz, de ter momentos eternos de felicidade junto do que mais me faz sorrir, junto das mais lindas histórias que podem ser narradas, dos assuntos mais banais que fazem toda a diferença num enredo de nós.
Tô aqui, esperando mais um copo...
P.V. 13:54 05/10/08

Um insensível

Sou totalmente indiferente ao que sentem ou tentam sentir por mim. Característica de pessoas que não têm um pingo de sentimentalismo por algo que esteja próximo e pareça ser só um pouco importante naquele momento. Há certas coisas que não pretendo mudar, coisas que não faço a mínima questão de mudar. Não sei porque, nunca pensei nisso e nem tenho intenção de começar. Sou assim, indiferente a tudo que me agrada demais, a tudo que me é muito dado, a tudo que de repente começa a perder a graça. Mas ando por aí relembrando fatos que sempre provam o contrário de tudo que digo e fico assim sem ter o que dizer, fico sem jeito pra tentar justificar minhas palavras que acabam não tendo o menor sentido quando meus pensamentos dizem outras coisas a respeito do que faço.
Não acho que tamanho seja algo que realmente importe e paixões grandes ou pequenas são paixões da mesma maneira. Tudo que se arde por dentro e se sente é da mesma maneira, é do mesmo lugar que partem, a intenção sempre é a mesma. Sem tentar ser pessimista, acreditando em algo do bem, algo que traga uma alegria que sempre foi desejada, por mais que tudo indique que será difícil.
Falando sinceramente, penso que, talvez, um precoce exagero possa ocasionar terríveis conseqüências posteriormente. Conseqüências tão grandes quanto hipérbole sentimental do início. Não sei o que pensar e nem mesmo o que fazer pra tentar mudar esse meu espírito de porco que é defeituoso, não consigo culpar ninguém, não posso jogar a culpa em cima de ninguém pois tudo é assim por ações que partem de mim mesmo. Não sei o que a falta de vontade pode trazer depois de algum tempo, mas é uma passagem, um momento que me parece estranho. Teria que trabalhar pra melhorar tudo isso de errado que insisto em fazer durante tanto tempo.
Poderia também inventar mil desculpas, todas muito plausíveis, mas caio numa armadilha preparada por mim mesmo que sempre esconde a verdade, sempre varre toda a sujeira da minha vida pra baixo dos tapetes que costumo pisar, pra baixo do carpete que faço questão de estender pra que todos que me amam possam caminhar. Andam, ignorantes, pisando forte em cima de todos os meus problemas, todos os meus defeitos terríveis; cegos, enganados contribuem sem saber pra que tudo continue invisível aos olhos do mundo. Acabo me perdendo no meio de toda essa confusão e no fim vejo que o costume com o que apresento, o cotidiano feliz de tudo que me cerca é bem maior do que minhas idéias escrotas a respeito da minha pessoa, todos os meus julgamentos internos, a incessante luta contra um réu depressivo amigo de todo o júri.
É estranho, mas infelizmente assim que acontece, assim que se sucede as vitórias e derrotas na vida de todo homem. Do mesmo jeito que paro e me pego pensando se o que estou fazendo é realmente o que quero, se o que está acontecendo é algo de minha vontade, se não passa de um passatempo, um nada que nasceu com o único intuito de morrer e deixar só sofrimento, algo que não tem forma, mas ocupa espaço. São muitas dúvidas, nenhuma com uma provável solução; justamente por isso que fico assim, desorientado com tudo que se move perto de mim, medroso por natureza, tomando atitudes desmedidas, deixando-me levar pelo coração.
P.V. 13:36 05/10/08

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A massa branca

Tudo em minha volta me provoca ânsia de vômito, tudo me faz mal, tudo me deixa tonto. Tô cansado de toda essa baboseira, de toda essa repetição, todo esse estresse sem fim, sem fundamento, sem causa, que não mede conseqüências. Uma verdadeira estupidez de pessoas que não têm no que pensar, não têm o que fazer de bom e simplesmente vivem para algo total e incrivelmente desnecessário. Olho em minha volta e nada que vejo parece me alegrar, nada levanta o espírito que vive dentro de mim aprisionado, escravizado pedindo, implorando para ser libertado. Me perdoe, mas eu não tenho culpa de ter essa vida.
Ando por aqui e perco-me no meio da fumaça que parece não ter fim, de toda essa massa branca flutuante que embaça minha visão, arde meus olhos, me deixa ainda mais confuso nessa bagunça toda de onde não sei como fugir, de onde ainda não tentei fugir. É um verdadeiro castelo onde os espelhos foram todos retirados. Tenho vergonha de me encarar. Tenho mais ainda medo de me encarar e chegar a conclusões das quais pretendo correr. Não quero olhar pro espelho e ver que nada está desenhado no meu reflexo, tenho medo de saber que estou aqui inutilmente, de que não presto pra nada, que minha vida pode estar sendo em vão, de que o que pretendo não conseguirei. Tenho receio de que as coisas podem, por acaso, dar errado e isso não seria bom pra mim nem pra ninguém.
Corro pra todos os lados e nada parece mudar, é tudo o mesmo casulo, a mesma casca de sempre, da mesma cor e do mesmo tamanho. Não sei se é somente por hoje e se, de fato, cheguei a um ponto de não mais agüentar andar por essa casa, mas tudo parece tão pesado, tão diferente, que me sinto um estranho no meu lar; sinceramente, acho que não pertenço a esse lugar. Estou desorientado e não sei o que fazer. Procuro passatempos mas tudo que vejo e sinto só me dá mais convicção de continuar na luta contra meus problemas. Na luta por achar uma solução viável que termine de vez o que está ainda corroendo minha cabeça, por mais que tente sempre imaginar que nada disso é grande o suficiente pra tirar minha calma.
Uma falsidade cai por terra nesses momentos e a máscara social deixa-se derrubar por uma preocupação evidente e indisfarçável. Estou assim, introvertido e desvairadamente procurando o que não tem nome, comendo sem sentir fome, bebendo pra enganar o sono e, sem conseguir dormir, cometo um dos meus maiores pecados que é pensar. Tantas palavras não me levam a lugar nenhum. Acreditava que escrevendo, tiraria de mim um peso, jogaria nas costas de um papel inocente tudo que martela incessantemente dentro de mim; mas estava errado. Engano-me e justamente nesses momentos percebo o quanto sou fraco perante o que não faço idéia de como resolver. Ajoelho-me perante mim mesmo e imploro que deixe isso pra lá, siga em frente sem pestanejar ou sequer olhar pra trás.
São só pensamentos, tenho minhas certezas que ainda não se tornaram fatos e rezemos pra que não se tornem mesmo. E se do contrário, acontecer tudo que se desenrola pra que aconteça, deixemos correr. Justamente como um rio caudaloso que anda, caminha, serpenteia solene para seu destino, carrega levemente suas águas profundas rumo ao mar, serão meus problemas correndo, esvaindo-se um a um, cada vez mais rápido com o voar do tempo. Sei que sou ansioso e não gosto de aguardar, tenho essa mania de querer que tudo seja resolvido o quanto antes pra que se evite um provável sofrimento, mas sou assim e assim tenho que me aceitar. Peço sempre pra que me ajude pois é assim que as coisas estão dispostas a ocorrer, não tenho chance nenhuma de combater tudo que me aflige sozinho e, humildemente, estendo a mão procurando socorro.
Todo esse silêncio está me matando aos poucos.
P.V. 19:35 03/10/08

Nem tente entender

Será que algo mudou em mim nesses últimos dias, nessas últimas semanas, talvez? Realmente evito sempre de pensar em algo de ruim que possa vir a atrasar a alegria que sempre almejei em minha vida, mas se for da preferência de cupidos e afins, aceitarei de bom grado, por mais que uma tristeza inevitável tome conta de mim durante algum tempo. Prefiro não comentar sobre certos assuntos, mas nessas horas algo mais forte fala por mim e acabo aqui sentado tagarelando como sempre. Vou nessa incessante batalha pra que dê tudo certo, mesmo sabendo que nem sempre vou me esforçar ao máximo. Não por motivos de orgulho ou qualquer coisa parecida; simplesmente pelo fato de me conhecer e saber os meus limites, tanto como minhas qualidade e principalmente meus defeitos. Sempre fui acomodado com tudo que percebia ser fácil em minha vida e, uma vez que me dessem a condição de tomar conta da situação, tudo se esvaía como água suja indo em direção ao ralo.
Uma verdadeira pena saber o que pode acontecer e mesmo assim não ter sequer vontade de mudar o rumo do destino. Seria até mesmo muita ambição da minha parte tentar mudar algo que já está estampado nas estrelas, como o livro do destino, como os dizeres do futuro, como são as palavras que brilham no céu a determinar cada ação de nós aqui embaixo. Somos marionetes e se o que vem é pra ser de um jeito, não sou eu quem vai mudar as coisas. Não sou eu, por mais que tente, quem vai ter o poder de transformar o que está pra acontecer.
Todos têm a intenção de fazer o bem, mas quem pode dizer que uma atitude benéfica nesse momento não pode fazer um mal inenarrável a outra pessoa daqui a algum tempo? Tudo é muito relativo quando se fala sobre o que é e não é. Simplesmente muito complexo pra ser explicado, ainda mais difícil de ser vivido, totalmente impossível de ser compreendido. Vivemos, morremos e não conseguimos entender o que, de fato, está acontecendo. Certas ocasiões são realmente estranhas pra mim e na minha mente vem um pensamento de indagar a mim mesmo. Eu me perguntou quem sou eu. Começo a pensar que estou pensando, que eu poderia ser qualquer outro, imagino se aquele que está do meu lado não tem a mesma curiosidade, ou se sou só eu mesmo que tem esse tipo de coisa na mente; fico imaginando o que estão pensando, faço paralelos com os meus pensamentos pra tentar chegar mais perto do que não conheço. Devo ser muito estranho mesmo.
É simples assim, por mais que se tente imaginar, jamais conseguiremos saber o que de bom ou ruim irá acontecer. E se tiver que acontecer, que seja. Estou num momento em que nada parece me fazer ficar triste, ou mais triste. E ao mesmo tempo encontro-me tão normal como qualquer outro dia, quem sabe até mesmo com mais motivos de sorrir que em outras ocasiões. Mas nada disso importa.
O que importa é o que acontece, não o que está pra acontecer.
P.V. 19:49 03/10/08

Que isso, mulher??

Vaciilão, ainda ti amúúh

Ah, pelo amor de Deus, né...
Como é que uma menina pode dizer uma coisa dessas? Sei que tudo que vem do coração é complicado e complexo, mas nada que o tempo apague e leve consigo todas as mazelas que se deram durante o tempo que a relação não deu certo, por seja lá qual foi o motivo. Sinceramente, não sou muito de ouvir funk nas minhas horas vagas, mas de quando em quando me pego escutando uma dessas músicas escrotas que fazem a gente dançar até mesmo sentado. E tem uma que diz: “É assim que elas gosta”.
Tirando o fato que a letra da música não está de acordo com a gramática normativa, vejo que é um fato bem mais do que verdadeiro. A frase que tá aí em cima foi retirada do orkut de uma amiga minha. Eu não tenho nada a ver com a vida dos outros, tô aqui pra tomar conta da minha e mesmo assim, ainda faço tudo mal errado. Mas quando vi isso, fiquei pensando. Nossa, como mulher é um bicho bobo né? Como elas conseguem perder tanto tempo com a gente? Claro que tenho que mostrar meus lados bons, tenho que mostrar a todos que eu presto, o que é uma verdade mais que absoluta, irredutível, inabalável. Ai de quem dizer o contrário, quereria provas!
Mas vejam só, que babaquice, que idiotice. Não sei o que faria se fosse mulher. Acho que cometeria suicídio a cada momento que me tornasse assim tão submissa a mentiras ditas da boca pra fora. Se é que se pode cometer mais de um suicídio. Ainda acredito que o tal vacilão nem sabe mentir tão bem. Imagino como são, então, as mulheres que pertencem a esses seres que tão bem sabem mentir, a esses que mentem e dizem que estão mentindo mesmo só pra ganhar mais espaço. É tudo muita safadeza. Eu sou um desses, admito. Sei que não deve existir alguém que minta melhor que eu, mas acho também que cresci e meu tempo de enganar as pessoas já passou, daqui pra frente pretendo ser o mais transparente possível com meu povo.
Mas ainda tem milhares de vacilões como o tal protagonista soltos por aí, destroçando corações, destruindo lares felizes, terminando com tudo o que está pra nascer de bonito. É verdadeiramente um pecado que nós, homens, praticamos. Mas mesmo com todo meu repúdio, não consigo ficar com raiva pois estaria sendo hipócrita ao criticar uma coisa que tão bem eu sei fazer, uma coisa que talvez até mesmo tenha ensinado pra muitos deles. Vergonhoso vir a público e dizer uma coisa dessas, mas não consegui me calar ao ver como as mulheres são bobas a ponto de amarem quem não merece um amor sincero. Devem ser novas e ainda não perceberam como dói a dor da ilusão, ou estão já anestesiadas de tanta pancada que levaram. Muitas hipóteses podem ser levantadas.
Procuro sempre a verdade absoluta do que acontece pelo mundo, e acho que nunca vou achar algo que diga com toda convicção o que faz uma mulher inteligente, bonita, se envolver tanto com quem não presta, se doar, se dar, se deixar levar por palavras. O que são palavras?? Não são nada! E há quem diga que atitudes são mais sinceras. Mentira. Porque tudo nessa vida pode ser disfarçado, pode ser coberto por máscaras e ninguém nunca vai sequer perceber o que acontece por debaixo da lona desse circo, onde as palhaças não sabem que exercem tal profissão.
Sinto-me até mesmo mal ao falar sobre essas coisas. Eu não sei o que fazer. Talvez quando ficar bem velho, talvez quando estiver no meu leito de morte lance alguma coisa a respeito disso, uma coisa que todas as mulheres vejam e saibam o que fazer em momentos decisivos. Livro inteligente pra mulheres que desejam ser inteligentes. Sei que vou vender poucos, mas só a intenção já vai ser uma coisa boa. Sei também que a classe masculina não ficaria feliz se revelasse todos os segredos das mentiras mais deslavadas que já foram ditas, mas é tudo um desafio e é esse mesmo o intuito de viver desses crápulas sem sentimento.
P.V. 17:34 03/10/08

Saindo da linha

Me beija. Mais um. Me beija de novo. Só mais um. Me beija de novo. Certas vezes, quando a gente se envolve de uma maneira diferente, se acostuma com o que é de bom. E tudo que é assim muito bom dá vontade de ter mais. Não sou de me contentar com pouco, talvez seja um defeito meu. Inspirações vêm e vão, não é nada demais realmente. É que tenho problemas sérios em saber expressar o que sinto, não me seguro e até digo o que não posso dizer, digo o que ainda não estou preparado pra dizer. Seguro-me e tento evitar qualquer coisa de ruim que possa acontecer, mas é tarefa fácil pra mim. E foi assim. Um beijo com gosto de quero mais. Uma verdadeira pena ficar assim tão pouco tempo.
Fatos assumidos e palavras disfarçadas. Tudo que se move tem vida e sempre que esbarramos em qualquer coisa que possa vir a trazer alegria no futuro deve continuar junto. Mas quem manda nas coisas não somos nós e tudo acontece do jeito que menos se espera, e acaba como merece. Alguns ganham amor, outros ganham dinheiro, eu prefiro a paz. Quero nenhuma perturbação na minha vida, quero continuar aqui no meu canto, fazendo o que sei de melhor, fazendo tudo escondido pra não criar especulação. E as palavras alheias que chegam em nossos ouvidos simplesmente são da boca fora, sem nenhum tipo de comprovação e só são ditas quando nada de melhor há pra se falar. Existem sim essas pessoas que adivinham futuros, sentem o que está por debaixo dos tapetes, toda a sujeira que tentamos disfarçar, mas que se torna inevitável diante de tanta vontade. É o que existe em cada esquina, se algum tipo de intenção é sentida, todos já pensam coisas estranhas e que, no fundo, têm suas verdade escondidas.
Não tenho medo de línguas afiadas. Mordo mesmo.
Mas nem era isso o que estava disposto a dizer. Sempre me embolo em tantas palavras, estou ficando perdido. Talvez seja a paixão, amor, todos esses sentimentos que sempre se confundem e não levam em lugar nenhum. Mas o que sempre preguei de ter total compreensão e controle sobre o que acontecia comigo mesmo caiu por terra, ando cada vez mais desorientado com os fatos da vida, tudo que acontece todos os dias, essa bagunça que é do coração. Na verdade, nem quero tomar qualquer decisão, acho, sinceramente que assim tá bom, mas sempre que algo nos incomoda, é aconselhável que seja dito. Quando algo nos incomoda para o mal, devemos esquecer. Quando é pro bem, deixa o povo saber que não é nada demais. Mas como já virou costume a galera entrar aqui, ler e não entender nada, não vai ser surpresa se continuarem a me indagar sobre os rumos que toma a minha mente, sobre o que ando pensando, qual o verdadeiro significado das minhas palavras. Bobos, só quem sabe, sabe.
É assim que acontece, certas vezes na vida temos que fazer escolhas. Outras vezes deixamos tudo como está e o tempo se encarrega de dar cabo ao que nos faz mal. Mas como tudo que tenho me faz bem, prefiro manter as aparências e tudo mais que estiver ao meu alcance.
Mais uma vez, tudo se perde...
Eu só ia dizer que queria mais um beijo.
P.V. 16:52 03/10/09

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Canções

Tô aqui deitado na cama, na minha cabeça perdem-se vários pensamentos otimistas do que a vida pode me oferecer e mesmo tendo essas idéias particulares pego-me pensando no que faria se fosse sozinho. Nada, é bem verdade. Não é que o sono esteja batendo aqui do lado e me fazendo delirar ou coisa parecida, talvez até seja mesmo, mas prefiro acreditar que não. Prefiro acreditar que tudo foi decidido certamente e que esse pensamento é o que tenho mesmo que ter.
No som ambiente, tudo que toca, toca em mim. Parece que sempre que estamos apaixonados, as músicas foram feitas pra nós. “Eu protegi o teu nome por amor em um codinome beija-flor.” Quanta profundidade pode existir na letra de um cara que vivia bêbado e dançando nu em cima de mesas no Leblon? Digo que hoje, mesmo depois de tantos anos de sua morte, continua a me atingir dentro desse quarto escuro enquanto a fina chuva cai lá fora. Sei que faz parte de todo vagabundo o sentimento do amor, o sentimento de uma paixão que deve ser até o fim, por mais que não seja correspondida, protegida. Aquilo que ninguém vê com olhos, aquilo que não é claro, não é transparente, mas, de fato, existe. Em mim existe, por mais que não enxerguem.
A música não pára. Continua mudando a cada vez que o fim marca o término da canção. “Animal arisco, domesticado esquece o risco, me deixei enganar e até me levar por você, eu sei quanta tristeza eu tive, mas mesmo assim se vive morrendo aos poucos por amor.” Será coincidência? Não sei, digo o que penso e sou sincero o suficiente pra acreditar em destinos cruzados, coisas que acontecem porque simplesmente têm que acontecer. Pessoas que se encontram, pessoas que já se conhecem e de repente vivem o que tanto procuraram durante toda a vida em lugares que nunca achariam. Tudo é do destino, tanto quanto uma música que toca depois da outra dizendo coisas totalmente diferentes e ao mesmo tempo tão iguais. Acredito naquilo que me faz bem, boto fé no que de bom virá até mim. Aguardo sempre.
Agora o que está tocando já não é do conhecimento de todos. “Ain't no sunshine when she's gone.” Entre uma palavra e outra, não me contenho e canto pras paredes também ouvirem deixando de lado o egoísmo de meus fones somente abastecendo de conhecimento meus ouvidos. É bem verdade que não há mais raios de sol quando ela se vai e ninguém mais correto pra dizer isso do que o autor da música. Como o branco que toma conta do que já foi negro, é a tempestade que toma conta do lugar onde um dia o sol já reinou. Tanto quanto como o dia de hoje que já nos deu muito calor e agora, enquanto a noite cai, cai a chuva também pra desfechar mais um desses fenômenos que não sei o nome. Tudo igual, tudo que é dito por alguém que desconheço acontece nos mínimos detalhes.
Arrepio-me brutalmente a cada troca de músicas. “Entre por essas porta agora e diga que me adora, você tem meia hora pra mudar a minha vida, vem vam'bora que o que você demora é o que o tempo leva.” Tudo a ver com as idéias do que sinto aqui nesse momento, dentro desse quarto que podia ser uma sala qualquer, e ela também podia entrar por aquela porta, fazer barulho pra despertar em mim o desejo guardado durante muito tempo. Sei que aqui não tem o cheiro dela, o perfume dela ainda não invadiu minha casa, mas é fato concreto que meu coração também dispara quando sinto e estou junto dela. Queria que ficasse aqui comigo pra sempre, queria que fosse minha pra toda a eternidade. Sei que nem tudo que se deseja se cumpre, mas o otimismo de minhas palavras se confunde com a lírica das canções e mais uma vez o destino se faz presente ao doar seus mandamentos à uma cabeça que ainda não aprendeu a pensar sozinha.
Mais uma vez, a música acaba pra dar início a uma nova. Fala-se sobre paralelos. “Foi paixão a primeira vista, me joguei de onde o céu arranha te salvando com a minha teia, prazer me chamam de homem aranha.” Sinceramente, dessa vez fiquei um pouco perdido, por mais que tenha mil argumentos pra dizer o contrário. Nunca me disseram que fosse algo parecido com um super herói e até acho que minhas teias molhariam-se com toda a fria água que cai lá nas ruas. Seria uma aranha afogada no meio de todo esse dilúvio. Mas o que é pesa é o que sinto por quem corre o perigo iminente. Cheguei pra salvar o que não podia mais se calar, cheguei pra impedir um sofrimento, cheguei pra dar fim a uma incansável procura por algo bom, cheguei e fiquei. Estou aqui e parece, ao que tudo indica, que venho fazendo um bom trabalho, como sempre fiz, como sempre farei. O trabalho mais prazeroso que poderia ter. Faça algo com amor e jamais precisará trabalhar.
“Eu fui embora meu amor chorou, vou voltar. Eu vou nas asas de um passarinho, eu vou nos beijos de um beija-flor.” Parece que tudo vem dizendo o sentimento que vaza pelos meus poros. Parece que disseram ao computador tudo que eu queria e estava precisando ouvir. Mentira minha se disser que estou carente ou coisa parecido, só tô assim solto e sem ter em que pensar num momento de paz total do meu corpo. E vem a toda hora uma música mais bela que a outra pra me fazer lembrar de quem me faz tão bem. Acho que uma conclusão pode ser tirada de toda situação que se desenrola. Por mais que estejamos bem, por mais que nada nos aflita, por mais que esteja tudo dando certo, aquilo que amamos sempre fará falta. Aquilo que nos completa. Aquilo de que dependemos. E a palavra não me completa, nunca me completou; o que me completa de fato são os beijos, são os abraços, é o toque. “Eu quero te namorar, amor” como diz essa música...
Algo que pode mudar o destino. “Tá legal, você vai ver, não dá mais meu bem, eu já me cansei, pra ficar sofrendo, sozinha eu vou vivendo, agora vá embora, vá com Deus. Vou pedir pra você voltar, sei que errei, mas eu não fiz por mal, dessa vez juro, eu vou mudar vou viver pra você.” Sei que tudo que é escrito, às vezes pode conter erros. Então prefiro não comentar nada do que ouvi nessa música. Faço a mim mesmo o favor de pular coisas desse tipo. Faço a nós esse favor. Fiquemos com o que de bom nós temos.
P.V. 20:46 01/10/08

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Mais que um melhor amigo

Tenho uns amores na minha vida, alguns maiores que outros, uns que são praticamente uma dependência pra mim. É bem verdade que seria da maior tristeza, quase que uma inutilidade eu continuar vivo se não tivesse com o que me divertir, essas coisas que dependo. Time, família, namorada (não necessariamente nessa ordem) são exemplos do que me fazem feliz, amores que eu dependo. Mas há cinco anos, fui atrás de algo que me deixaria muito feliz. Tenho um cachorro muito lindo chamado Dark que é meu filho. Minha mãe sempre diz que eu não cuido dele, e vive dizendo que vai dá-lo pra qualquer pessoa que tenha um mínimo de responsabilidade em pelo menos dar um banho por semana nele, ou quem sabe comprar ração. Tá bom que eu sou meio relaxado com essas coisas, mas não significa que eu não o ame, que eu não goste tanto dele, que ele seja uma das razões da minha vida. Quase um caso de amor.
E são verdadeiramente nas horas mais difíceis da nossa relação que fica explícito o quanto nós nos amamos e somos ligados por algo mais forte, coisa que eu não sei o nome. Pode ser porque sempre me chamaram de cachorro (as meninas, especialmente) e talvez, com isso, tenha incorporado um pouco do instinto animal presente nesses caninos tão adoráveis, melhores amigos dos homens, como dizem. Mas não o vejo como um amigo, o vejo como um filho, mais que um irmão. Dividimos nossas tristezas, dividimos nossas alegrias.
Arrepio-me quando lembro daquela final entre Flamengo e Botafogo em que estávamos perdendo de virada por 2 a 1 e eu, já desanimado, saí da sala, fiquei ali na varanda olhando pro Dark enquanto o jogo ia terminando, chegando perigosamente à marca de 40 minutos. Via no semblante do meu filho algo estranho, como se ele me olhasse e dissesse que eu deveria acreditar até o fim, que eu não deveria desistir de apoiar o Flamengo, e que mesmo se não desse daquela vez, na próxima nós levaríamos a melhor. Justamente nesse momento enquanto sentia tudo isso vindo dele, que o Renato Augusto, incrivelmente, acertou um chute de fora da área que surpreendeu o goleiro e entrou no ângulo empatando o jogo e o levando para a disputa de pênaltis, culminando, enfim, na vitória e conseqüente título para o nosso Mengão. Foi tanta alegria na hora do gol que comemoramos juntos, eu gritando, ele latindo. Eu me lembro disso.
Nas vezes em que eu bebia demais também; ficava ali na varanda olhando pro nada infinito, pensando em todas as mazelas que se abatiam sobre minha pessoa. Foi sempre o Dark que esteve do meu lado, mesmo que lambendo meu pé e eu o chutando, era ele que estava lá escutando minhas lamúrias. Eu sempre soube que ele me compreendia, por mais que não conseguisse falar, ou mesmo entender o que eu dizia. Ele se comovia com as histórias tristes que eu dizia, meus desamores, minhas dívidas intermináveis, uivava um uivo triste em meu pesar. Ele se alegrava com minhas histórias mentirosas, minhas grandes conquistas, os fatos inéditos que só eu conseguia realizar, o sucesso que batia à minha porta, latia feliz como um cachorro de rua que descobria mais uma lata de lixo virgem.
Eu também o entendo. Sempre sei o que se passa em sua cabecinha ingênua, sua mente de cachorro. Dark faz parte de um seleto grupo que nunca vou poder esquecer, ele é meu amigo como poucos outros são, aceita meus defeitos com a calma e a compreensão. Não pede nada em troca quando me passa seus conselhos sinceros. Por mais que sejam sempre conselhos iguais... umas vezes eu entendo que devo levantar minha perna e mijar em cima dos problemas, outras vezes entendo que devo latir mais alto pra cima da cachorra que quiser arrumar confusão comigo, quem sabe até mesmo defecar em cima da conta do cartão de crédito quando ela chega, em alguns casos ele me aconselha a correr atrás do carteiro a fim de lhe arrancar um pedaço da perna, só pra manter as aparências. Sei que são do fundo do seu coração todas as atitudes que me passa através de seus gestos simples.
Hoje estou triste pois em um de seus passeios matinais, arrumou uma confusão na rua. Meu Dark não leva desaforo pra casa e ao saber por um gato fofoqueiro que um cachorro sem vergonha, bem maior que ele, estava a dar em cima de sua namoradinha, com a qual já teve 6 filhos lindos, resolveu saber do que se tratava essa história mal lavada e ordinária. Como eu bem o ensinei a ter educação e não se envolver em brigas, ainda mais se for por fêmeas, foi dialogar com o tal grandalhão que é envolvido com uma gangue de maus elementos que dominaram essa área há algum tempo e estão formando uma nova facção de cães que traficam rações sabor Cannabis. Por mais que tentasse conversar, o outro não quis ouvir seus latidos e lhe deu uma surra, que o deixou com um leve machucado no dorso. Maldito cachorro dos infernos sem pai nem mãe que não tem compaixão para com um companheiro da mesma espécie e fica furando o olho assim sem mais nem menos. Meu Dark veio pra casa, escondeu-se em sua casinha pra que eu não visse o machucado e tomasse atitudes drásticas (um ato de caráter dele), com isso o ferimento infeccionou, e hoje tive que comprar remédios pra que ele volte ao normal.
Estou triste, mas sei que ele vai ficar bem, sei que vai dar tudo certo porque ele é forte e nunca me deixou. Não vai ser agora que me deixará. Ainda temos muitos jogos do Flamengo pra assistir, muitas cervejas pra beber juntos, ainda terá muito champanhe pra você lamber do chão nos fins de ano, muitas alegrias pra dividirmos.
Estarei te esperando. Amo tu.
P.V. 12:12 29/09/08

sábado, 27 de setembro de 2008

Sou ciumento, sim!

Vou expressar, sincera e literalmente o que estou sentindo.
Sei lá qual é a verdade absoluta da minha vida; quanto mais o tempo passa, mais eu percebo que qualquer certeza é mera enganação de um sentimento do qual não tenho o mínimo controle. Vejo que tudo não passa de pra representação e o labirinto de adjetivos cresce diante de mim, misturando o que era bom com o que torna-se ruim.
Minhas palavras cheias de convicção ficam sem base quando perco a luta para o que não mais domino. Abomino momentos como esse e admito que estou preocupado com o futuro e desenrolar dos fatos que estão para acontecer daqui a não muito tempo.
Peço perdão desde já se alguém sentir-se afetado por tais conseqüências, mas é bem verdade que não era minha intenção que o pensamento caminhasse por essas vias. Sendo assim, ainda tenho forças pra dizer que farei de tudo, mesmo que inutilmente, pra que regrida a situação na qual estou envolvido. É uma questão de honra pra mim e de proteção a quem me ama e parece ter parte de culpa.
Talvez não. Talvez seja eu que não suporto idéias a rodarem na minha cabeça e, enquanto o furacão continua a soprar seus ventos, me mantenho ordinariamente ansioso a fim de que a brisa tome conta de tudo novamente, como antes. Minha cabeça dói e não sei o que fazer pra que isso pare. Tenho muitas obrigações pela frente e somente coisas do passado ficam martelando dentro de mim. Como um prego que teve a ponta amassada e insiste, incansável, insiste em tentar entrar, enquanto, bravamente, reluto em desespero pra que me deixe em paz, só pra eu dormir tranqüilo.
Ouça-me. Estou falando sério.
Vamos viver em paz.
P.V. 18:23 25/09/08

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Se importa?

Tá aí um texto que ainda não tinha postado, não lembro porque. Sei que faz muito tempo que escrevi e nota-se como eu escrevia mal há alguns meses... Mas até que ficou bonitinho. Acho que tudo que escrevo e consegue transparecer a verdade dos sentimentos fica ótimo, por mais curto que pareça, por mais bobo, por mais exagerado. E naquela época nem tinha muito sentimento pra expressar, era só aquilo de momento que deu vontade de escrever enquanto perdia-me em um copo de cevada num sábado quente verão. Ficou brega, mas ficou bonitinho:

“Se importa se eu beber?” Talvez, um dia eu faça essa pergunta a ela. Simples. Talvez até mesmo sem fundamento pra quem não presencia o ocorrido. Ela mexeu comigo, é verdade. I don’t know what it is but it seems she got me twisted. Mas ainda nem tive a oportunidade de conversar olhando em seus olhos. O meu maior medo (ou não) é que seja tudo maravilhoso como deve mesmo ser.
“Se importa se eu beber?” Talvez ela não curta o gosto de cerveja na minha boca. Mas não conseguiria ficar sem beijá-la. A curiosidade de saber que segredos escondem aqueles lábios é muito grande. Deixaria de beber por ela?? É provável...
“Se importa se eu beber?” Talvez eu beba demais e aconteça o que geralmente acontece quando passo da conta. Imagino coisas que não são reais. Então minha paixão não seria verdadeira. Mas quem disse que estou apaixonado?
Há tão pouco tempo que eu conheço ela. Já conversamos sobre tudo e ainda tenho um infinito de segredos pra contar. Tenho certeza que ela não se importaria se eu bebesse....
15:25 19/01/2008

Há muito tempo...

É a primeira vez que faço coisas desse tipo, colocando um texto agregado à um vídeo. Mas nem que seja por não ter vídeos à disposição, é que sou preguiçoso mesmo, demora muito pra carregar um desses aqui. A verdade é que outro dia estava vasculhando os profundos mares da saudade que existe dentro de mim dos tempos longínquos em que ainda era jovem e solto no mundo, quando deparei-me com fotos das mais engraçadas e descomunais que já tive o prazer de participar. Nessas fotos, que não tinham nada demais, além de muita graça, ficava estampada uma alegria que há muito eu desconhecia. Mas que depois de muito tempo, me foi apresentada novamente. Tá bom que hoje em dia, tudo continua lindo, mas fiquei anos sem viver coisas parecidas e lembrei do desperdício de felicidade que consumi. Pra homenagear os bons tempos, resolvi postar um texto sobre qualquer coisa relacionada com o passado.
Mas não seria nada de interessante se colocasse aqui milhões de palavras como costumo colocar, relatando aventuras, desventuras, tristezas, alegrias, mil mentiras que ninguém iria acreditar. Só que eu não sou de inventar as coisas e gosto de deixar tudo bem claro pra que meus fãs possam sempre estar por dentro das minhas histórias magníficas. Daí o motivo e a razão por eu ter encontrado esse vídeo muito louco em que canto alucinadamente uma das músicas mais bonitas que já fizeram, que na minha voz ficou ainda mais bela, diga-se de passagem...
Não é nada demais, uma pessoa que não tinha objetivos na vida, a não ser saber onde passaria a próxima festa e qual era o boteco mais próximo pra comprar cerveja quando a que estava na geladeira acabasse. Não julgo que isso seja uma grande derrota, mas admito que não viveria assim pro resto da minha vida, por mais que ainda sinta saudades eternas daquele tempo sem responsabilidades. Eu era assim, solto, sempre com sede de tudo o que estivesse nas garrafas mais alcançáveis. E quem andava comigo tinha que me acompanhar pois sempre fui carente e precisava beber com alguém, até mesmo pra dividir meus complexos, ter alguém pra encostar o ombro quando a cabeça ficasse mais pesada.
Adorava minha vida de boêmio, sem nunca ter sido bamba. Cantava pelos cotovelos, fazendo minhas garrafas de microfone, de violão, de guitarra, quando o copo caía no chão dizia que era a bateria querendo gritar mais alto que eu. O coro sempre ia me acompanhando em cada canção nova que se desenrolava nas intermináveis festas organizadas pela saudosa e querida UCM. Tudo no melhor intuito de ser feliz, independente de raça, credo, ou qualquer besteira parecida. Sempre na paz, as pessoas sempre do bem, sem qualquer tipo de droga envolvida, a não ser a nossa Linda Kátia, citada no vídeo abaixo.
Eu nunca tive jeito mesmo, mas faz tanto tempo que não canto...
P.V. 14:02 26/09/08

video

Churrascão em Fefy's House - 2006

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Pra não dizer que não falei das flores

Cansei de tudo isso, estou indo embora desse lugar. Pra mim já chega, acabo de tomar uma decisão que há muito tempo já vinha passando pela cabeça. Isso é um relato do que estou sentindo e nenhum ser humano merece passar por tal situação. Não agüento mais esse inferno. Todo esse deserto que só parece saber crescer ante meus olhos já secos por não haver mais lágrimas a deles rolar. Sei que serei o único, sei que ficarão contra mim, mas devo seguir meu pensamento e partir o quanto antes... Ninguém tem o direito de tirar a vida do outro, muito menos eu. Largo tudo agora pra que não aconteça coisas piores. Deixo meu fuzil aqui, sempre soube que nunca iria precisar de algo assim. Descarrego minhas balas no chão, pois somente o chão é sem vida, somente no chão podemos jogar toda nossa raiva, tudo aquilo que só faz o mal, tudo aquilo que não precisamos de maneira alguma.
Tô andando agora rumo a qualquer lugar que me leve para bem longe desse inferno. As coisas que vi, a tristeza estampada nos rostos de todos em minha volta, toda a raiva dos que estavam, com justiça, contra mim. Atiram em mim e sou obrigado a revidar a bala quente e repleta de ódio que vem de todos os lados. Quero fugir daqui, me tirem desse lugar pois já não agüento mais. Sou eu quem vive tudo isso, não é aquele que fala por nós, aquele que não sabe de fato o que venho passando, aquele que não sabe a vida que levam os homens aqui. Preciso fazer algo pra salvar esse povo de toda a miséria que come a saúde dos mais jovens, dos mais velhos, das mulheres, dos homens. Uma grande derrota para meu coração, sangro por dentro só de lembrar de todo o horror que presencio todos os dias nesse campo de batalha.
Cidades devastadas por toda a ganância exorbitada que faz encher os olhos desses vermes da política, donos do mundo que julgam serem melhores que todos. Raiva transparente em cada muro, cada esquina destruída que um dia já foi normal, tudo que, um dia, estava de pé e hoje mantém-se deitadas para todo o sempre. Assim como os homens de família que também estão e permanecerão deitados para sempre. Seus filhos, suas esposas a regar com lágrimas o chão em que jazem. Quero mais isso não. Me tirem desse inferno. Prefiro não mais dormir pra tentar fugir dos meus pesadelos mais terríveis. Sempre vejo aquele homem caindo, sendo atingido por uma bala do meu fuzil. Quem sou eu? Não me reconheço mais. Sei que atirei por defesa, mas sou eu quem está a invadir o país dele. Minha vida para trazer de volta a sua. Quem cuidará agora de sua família? E se filhos ele tiver? Quem será o pai agora? Meus pesadelos estão devorando minha mente, tenho que sair daqui, tenho que fugir pra bem longe de tudo que está me fazendo mal.
Tenho total responsabilidade por tudo que aconteceu, tudo que está acontecendo, e já vem sendo encarado como normal há tantas décadas. Preciso botar um fim nisso. Vou sair daqui, vou juntar um novo exército, vou combater o mal com armas diferentes. Somos todos iguais, não podemos nos matar assim todos os dias, temos que fazer algo pra melhorar nosso mundo. E minha cabeça... não suporto mais ver tudo isso. Essas cenas estão me devorando por dentro cada vez mais. Sou um ser insignificante na minha existência, mas acredito que todos juntos, todos em nossa própria insignificância poderíamos mudar tudo de errado que está acontecendo, tudo de triste que aumenta cada vez mais. Dar um fim ao que não pode mais ser.
Estou indo embora, estou indo pra bem longe desse inferno. Não tentem me parar pois o que sinto agora é diferente de tudo que já quis um dia sentir. Não agüento mais tudo isso e vocês também deveriam discordar dessas ordens sem fundamento. Vamos formar um novo exército pra combater o que não deveria existir. Mas com novas armas, por favor.
Fuzis ao chão, flores na mão.
P.V. 10:33 22/09/08

Perfeição perdida

É perdido no meio de tanta beleza que o homem costuma ficar, parado no meio de tanto movimento, sem saber o que fazer, só por ser de sua própria natureza o fato de ser bobo, ser inoperante quando a perfeição lhe atinge e, acreditem, isso sempre acontece um dia, por mais que demore. A marca simples e clara de que algo de estranho está acontecendo é o novo brilho nos olhos que nos acomete, sempre que, na lembrança, o rosto saudoso aparece. Mas é tudo muito normal se deixarmos o preconceito e o machismo de lado, pois já que as mulheres podem se apaixonar, os homens também têm todo o direito. A diferença é que as meninas costumam se dedicar de corpo e alma mostrando sem pudor pro mundo todo como é grande seu amor pelo outro. Os meninos, ainda que amem bem mais que elas, sentem-se um pouco retraídos em relação aos sentimentos e não se expõem muito por ter medo de sofrer, por um dogma, ou talvez essas coisas históricas e culturais que pregam as mentiras de que o homem tem que ser sempre o maioral e não demonstrar nenhum tipo de afeição exagerada só pra não dar muita moral às mulheres. De certo modo, até que pode ser.
Mas mesmo com todas as idéias, permanecem lá, incontidos por não conseguirem mais sair do buraco em que foram se meter, por não terem forças pra tentar mudar tudo que aconteceu tão de repente e já parece ser tão eterno. É uma situação difícil de se administrar quando muito se pensa nela. Pessoas que não gostam de pensar esse tipo de coisa, levam a vida bem mais facilmente, sem analisar nada do que vem acontecendo, só driblando os previsíveis problemas e aproveitando todas as alegrias que um amor correspondido pode trazer.
Porém, não é de amor que estou falando, explicitamente. Tô dizendo da beleza, da perfeição, do detalhe que tira a atenção. Não sei qual o problema, ou qual a solução em casos desse tipo. Devo estar mesmo ficando um pouco desorientado. Mas vou tentar continuar seguindo no foco, pois a intenção deve sempre ser conservada, chegar aos fins com as idéias do começo, justamente como numa relação a dois, ou mais.
São pensamentos, pois tudo que se passa na nossa cabeça um dia há de se tornar realidade, quer queira ou não. Por mais que tentemos, iremos desembocar na mesma saída, no mesmo rio que corre pra algo maior, o rio que corre pro mar, nosso pensamento que corre pra realização das idéias. E uma imagem, mesmo que não signifique um desejo, pode exprimir o sentimento, pode trazer à tona uma realidade oculta, um pensamento que povoou a mente em dado momento, e naquele instante não significou nada, mas agora, passado algum tempo, tem total importância, quem sabe até mesmo identidade própria, uma ideologia que faz seguidores.
Não sei, de fato, qual a verdade a ser seguida. Quando olho pra algo, vejo com os olhos artificiais, em primeiro lugar. Não sei se o caráter da pessoa é bom ou ruim a encarando nos olhos, pois o mundo está cheio de pessoas mentirosas. Mas sei identificar sentimentos verdadeiros, coisas que não se vê, coisas que se sente. Sei que são poucos os casos de pessoas que são assim, únicas em seu intento de só fazer o bem, de querer o bem, de amar incondicionalmente e serem lindas, tanto por dentro quanto por fora. E toda essa perfeição exagerada só traz mais força pra dizer tudo que quero, tudo que só faz explodir em mim implorando pra que seja dito, não agüentando mais continuar preso, lacrado em lugar que não pertence.
Tenho que seguir sempre assim, no meu caminho, procurando esse “nãoseioquê” que só quem me ama pode oferecer, por mais que seja tão fácil de se achar, por mais que se destaque, por mais que isso esteja no meio de coisas que me interessem ainda mais. É o que eu tenho que ter, é o que eu preciso, toda essa perfeição há de ser minha e não descansarei até chegar lá, por mais que seja algo colorido no meio do preto e branco.
P.V. 10:05 22/09/08

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Uma coisa muito legal

Tô preso aqui dentro desse casulo de tecido que foi formado pra esconder o amor vira-lata que caiu sobre nós. Mas aqui está muito bom e não quero ir lá pra fora pois o frio é grande e o vento rasga ao meio qualquer intenção de aumentar a temperatura. É, de fato, a melhor opção continuar aqui dentro. Somente a cabeça pensante como a dela que poderia chegar a essa conclusão tão inteligente, uma idéia tão boa; tanto quanto ela. Mas vou ficando por aqui e não vejo o que acontece lá fora. Eu sei que a noite já chegou mas estamos em lugar bem iluminado, luzes repletas de vida a fazer transparente tudo que quero esconder. Mas aqui é escuro, mesmo com os olhos abertos não vejo nada. Estou cego num mundo que só tem tato para ser usado. Não quero falar, não quero ouvir, não quero cheirar. Só quero sentir.
Sentir um sentimento é coisa bem mais complexa e, sinceramente, não acho que seja um momento de se esforçar para chegar em pensamento assim tão profundo. Só quero deixar o tempo passar,as horas voarem, inventar mentiras em cima de mentiras pra continuar aqui por mais alguns minutos. Um minuto é muita coisa pra quem vive nesse forte de beleza, onde o ar tem que ser dividido pra dois. Nunca fui egoísta, se quiser posso até mesmo respirar por você.
Agora que já estou aqui há algum tempinho, meus olhos começam a se acostumar com o escuro e vejo seu rosto na minha frente. Ahh.. mas já estou te vendo há tanto tempo, vou fechar os olhos de novo e aproveitar o momento com toda a intensidade. Não pense, por favor, que cansei de olhar seu rosto. Pelo contrário, ficaria o resto da minha vida observando toda a beleza que sai de você, porém, nesse momento, admito que prefiro o que ainda não tive a oportunidade de ver. Na verdade, meus olhos sentem inveja das minhas mãos em certas ocasiões.
E o frio continua a crescer a cada segundo morto. Sinto meu corpo esquentar a cada instante que passa. Uma contradição de idéias que traz à tona algo escondido pelo clima gelado que faz lá fora. Por mais que tente, não conseguirá me fazer tremer. Não por essas vias, é claro. Se tremo, é por outro motivo, um que jamais o frio entenderia.
Tenho coisas a dizer, coisas realmente ótimas, mas me perco no meio de tanta informação, no meio de tanta novidade. Aí sempre que isso acontece, eu prefiro não dizer, pois posso ser injusto, posso ser exagerado, posso ficar com saudade. E nada disso é bom. Mas mesmo assim, por incrível que pareça, ainda estou aqui, cercado por todos os lados, em situação da qual não gostaria de sair nunca. Jamais pensei que me sentiria tão bem nesse estado claustrofóbico. Mas cá estou, sem saber o que pensar, e tudo acontecendo ao mesmo tempo, me deixando tão feliz por saber que fiz a escolha certa há tantos meses atrás. Realmente não sei que passa pela minha cabeça nesses momentos. É que fico tão feliz por não ter nada do que reclamar, por estar ali, sem nenhuma intenção de fazer o mal, somente com o amor que brota de todos os lados; lados que estão fechados, diga-se de passagem.
O povo passando nas ruas devia estranhar, mas nem nisso estava pensando. Só a saudade de poder estar junto me fazia o melhor homem do mundo nesse momento, poder estar com quem se ama é uma coisa “muito legal”. Quero ficar sempre assim, quero guardar pra sempre essas histórias que fazem de mim, um alguém melhor, um alguém mais feliz. Quero guardar aquela jaqueta jeans...
P.V. 22:34 19/09/08

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Mortes malditas

Poxa, que droga é isso de que eu não estarei presente em cada sorriso que sair de sua boca. Uma verdadeira bosta o fato de que cada palavra que você pronunciar eu não poderei escutar. Cada ação simples que partir do seu corpo será uma imensa tristeza pra mim pois não estarei por perto pra ver. Sou ninguém, longe de você. Um cara que perde toda a segurança estando distante de você, sem poder ter a certeza de que sua alegria será preservada. Sou um nada, meramente incapaz de poder fazer você sorrir por qualquer motivo quando deste mesmo sorriso sua boca precisar, mas minha pessoa estiver inalcançável. Tristeza é o que se abate sobre mim quando penso nisso.
Quando o frio chegar a tocar seus pés e meus braços, tão distantes, sem poder aquecer os braços seus. Frio maldito que não sabe o mal que te faz e nem a raiva que em mim provoca. Minha mão pra segurar a sua, impedir que os tremores tomem conta de você, mas estando longe morro por dentro ao saber que nada posso fazer. Meu reino pra poder ser dono da natureza e não deixar que coisas assim aconteçam perto de você.
Tão cruel quanto o frio é o calor que te faz suar. Escaldante Sol, maldito sortudo que, por estar tão longe de nosso mundo, tem a coragem de mandar seus raios a queimar sua tez alva, linda e delicada. Sei que você gosta desse calor, mas sua inocência de menina não é capaz de ter absoluta certeza sobre seus gostos. Adianto-me e digo que sou eu quem cuidará de você sempre que a incerteza bater à porta. Mas estou longe e continuo morrendo por dentro ao saber que não posso te proteger do Sol. Estaria eu sobre você, evitando sempre que qualquer quentura, por menor que seja, caia sobre sua pele.
E o medo que se deixa levar por seus pensamentos também é cruel com minha mente pois sou eu quem deveria estar do seu lado pra te proteger de todas essas idéias. Aquilo que te faz triste, aquilo que é do passado, mas insiste em querer voltar a atormentar sua cabeça deve ser combatido friamente por mim. Malditos medos que te fazem corar e esconder-se atrás de proteções que podem ser falsas. E onde estou eu? Longe, infelizmente, para tristeza maior de minha própria pessoa. A morte causa necrose aqui dentro. Com punhos e toda a força, combateria tudo e qualquer escuridão que se aproximasse de você, meu amor.
Mas se a dor tomar conta de seu corpo, o que poderia eu fazer? Esse pensamento pode até mesmo machucar mais a mim do que a você. Perco-me em desgraça só de pensar que um suspiro rola de sua boca com uma algia do menor grau que seja. Maldita seja a dor que faz seu sorriso murchar. Morro ainda mais com essas idéias terríveis que vêm a minha mente nesse momento. Eterna luta contra essa dor que usa de perversidades pra se apoderar do seu corpo e só tem a intenção de te fazer ficar esmiudada num canto isolado do resto do mundo-alegria.
Devo parar de pensar em tudo que te faz mal porque não agüento tanto sofrimento precoce por algo que espero que não aconteça. E todas as mortes que se abatem sobre minha pessoa podem somente tirar o intuito de te proteger pois, morto estando, nada poderia fazer...
P.V. 21:46 17/09/08