sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Tô na boa X Elite - parte 4

Felicidade. Sentiu todo o fervor de uma boca colada na sua. A batalha que finalmente chegava ao fim com o sucesso obtido depois de muitas tentativas infelizes. A retribuição do beijo era algo inesperado, mas que fazia dele o homem mais completo de toda aquela festa. Enfim, Fulano conseguia beijar na boca e era uma boca realmente deliciosa, segundo seus pensamentos. Durante os movimentos que se davam no desenrolar do beijo, Fulano sentia algo o espetar nos lábios. Deveria ser um aparelho, assim como o seu. As meninas dessa idade, principalmente as que freqüentam esse tipo de festa, costumam usar aparelho nos dentes, o que não diminui nem um pouco a sua beleza. Continuou beijando. Com a mão deslizando pelas costas, viu que ela era magrinha, uma novinha magrinha, tudo que ele pediu a Deus. Sentiu também que usava uma calça jeans que, com um pouco mais de liberdade, passava a mão sorrateiramente pelo bumbum levemente empinado. Imaginou que ela devia estar com um celular no bolso da frente pois a cada beijo mais forte e amassos mais intensos sentia algo a lhe apertar a virilha. Estava gostando, foi apertando ainda mais. A menina tinha realmente uma pegada bem forte pois lhe abraçava com uma força além do normal. Imaginou que ela deveria estar com tanta vontade quanto ele. Cada pensamento lhe deixava mais feliz por sua conquista maravilhosa. Talvez fosse a melhor da noite, de todos os seus amigos. Passou pela sua cabeça que eles morreriam de inveja.
Quando, de repente, na surdina do som que gritava loucamente nas caixas enormes, deu-se um estapafúrdio espanto geral da nação que tanto amava e odiava nosso amigo Fulano. Eu via tudo. Eu via os queixos caídos ao seu redor. Eu via que tudo aquilo estava prestes a desmoronar como caem cidades, como caem impérios depois de reinar soberanos por mais que durem séculos. Previa tristezas. Previa o pior. Nenhuma dor. Vários gritos. Alguns xingamentos:
__ Puta que pariu. Caralho!! Tá beijando um viadooo!
Doeu até mesmo em mim quando Fulano ouviu aquilo e afastou seu corpo de leve, somente a ponto de que pudesse visualizar rapidamente sobre os raios de laser verdes que vinham sem direção. Olhou e viu o que não queria ver. Viu um rosto fino, afeminado, com longa cabeleira castanha escura, olhos fundos, sobrancelhas grossas, boca fina e aquilo que ele julgava ser o aparelho nos dentes a espetar-lhe a face era um bigodinho sem vergonha que se escondia por debaixo de um nariz pontudo. Teve nojo ao encarar aquele homossexual magro que estava de pé na sua frente ainda com os olhos fechados tendo mil fantasias depois de um beijo tão apaixonado. Lembrou-se, então, de algo ainda mais terrível. O pensamento de um celular no bolso da frente da calça da “menina” caiu por terra quando, ao olhar pra baixo, viu o que não queria ver. Certas coisas não precisam ser ditas por isso farei o favor de não citar essa parte.
Toda a gozação, agora ainda mais escandalosa que antes, assustou o pobre viadinho que saiu correndo como uma gazela foge de leões famintos. Fulano, ao observar aquele pandemônio que se formou em sua volta, todos o cercando e dizendo obscenidades terríveis sobre sua pessoa, teve vontade de morrer. Uma tristeza profunda abateu-se sobre ele, algo realmente ruim. Era um verdadeiro azarado. Quando teve a certeza de ter encontrado o amor certo, foi vítima de uma horrível cilada do destino. Pobre Fulano. Estava agora sentado nas raízes de uma velha árvore que era única em todo aquele lugar. Ali, abatido fatalmente, pensava em tudo que havia acontecido. Fraco, deixou correr pelo seu rosto uma lágrima. Uma lágrima órfã. Somente uma... Depois dessa dramática cena, levantou-se como tivesse lavado sua alma de guerreiro, prometeu que jamais abaixaria a cabeça novamente, nunca mais derramaria água dos olhos e seguiu rumo a sua interminável aventura. Estava determinado. Iria rumo à vitória. Ao começar a andar, tropeçou nas mesmas raízes em que estava sentado e resolveu tomar mais cuidado quando estivesse caminhando...
Perdi sua figura indo ao longe. Estava tarde pra mim, tinha que ir embora. Foi tudo o que consegui captar dessa noite maravilhosa que aconteceu no último sábado. Um belo sábado. A gente sempre espera alguma coisas desses sábados.
P.V. 14:21 12/09/08

2 comentários:

KM disse...

Q HISTÓRIA TRISTE!!!
AHHH COITADO!!!
"O TRAUMATIZADO."
COM CERTEZA, ELE SE TORNOU DEPOIS D ALGUNS ANOS, ESPECIALISTA EM BEIJOS NÉ???
KKKKKKKKKKKKKKKKKK...

Sabrina Abreu disse...

Espero q esse "traumatizado" naums eja o meu queriido AllanzinhU...nè??!?!?!?!
rs*