quarta-feira, 19 de maio de 2010

O dia C

Certo dia desses, como era de se esperar, acordei.
O querido leitor, a querida leitora, todos que ainda teimam em me acompanhar talvez já não se agüentem da mesmice que corrói o ser das minhas palavras, talvez já não se contentem com esse pouco, talvez estejam tão loucos quanto eu depois de todo esse vazio que veio mastigando minha vida, toda essa falta de ilusão, ou essa ilusão excessiva, vá saber... somente não deixem que nasça por aí uma dessas idéias fixas. Deus que te livre de uma idéia fixa, querido leitor.
Pois acordei na raiva do homem, decidido por natureza, adentrei em meu chuveiro, deixei cair aquela água gelada sobre meu corpo fazendo a segunda parte da sessão de extração da cama de minhas costas após o insucesso do despertador. Saí, ainda molhado, com frio, um pinto pingando indeciso, triste eu diria, alguma coisa estava estranha naquela manhã como tantas outras em que me levantava de madrugada para viver 12 horas de intensa labuta, de intenso trabalho numa profissão que escolhi a esmo.
Toda uma vida parecia estar errada, as decisões eram feitas e não refletiam em conseqüências algumas, algumas realidades me doíam tão fundo no peito que na maioria das vezes preferia admirar a mentira para não sofrer tanto. Mas nada disso se compara, nada disso equivale ao que passava por dentro de mim naquela manhã, ao que vinha martelando dentro do meu coração há tanto tempo.
Os desafios miram o horizonte de um homem, os poderes que ele carrega na mão e a coroa de presidente que lhe pesa na cabeça mostram o caminho, o amor que possui dentro do peito já não cabe dentro de si e extravasa pelos poros, molha o corpo, cai pelo chão, desperdício... Usemos, então.
Fato concreto é que acordei naquela manhã decidido a conquistar todas as mulheres que passassem por mim.
E vi que era bom, e foi bom, e assim foi. A tristeza ficaria para trás, o amor seria disseminado, as histórias me acompanhariam de novo, eis que a ave Fênix se mostrava viva ao meu lado.
Fui embelezando minha própria beleza frente ao espelho de meu banheiro, fui analisando possibilidades, penteados novos, aquele gel mais cheiroso, escovei duas ou três vezes os dentes, me admirei, fiquei de perfil, de frente, de costas, e vi que era bom, e foi bom, e assim fui.
Botei meus pés para fora de casa como pisa um imperador pronto a conquistar metade do mundo sem um exército de homens, mas com as palavras que Deus lhe deu na boca, com a arte da conquista que desenvolveu desde os tempos de jovem, com a sagacidade estranha de um homem estranho que, estranhamente, consegue coisas improváveis. E tudo isso estava gravado na minha cabeça. A convicção me acompanhava...

Um comentário:

Leilinha disse...

Ao ler essas linhas, precisei de uma semana para refletir!

Missão dificil essa que o Sr. presidente escolheu. Para o presidente, nada é impossivel. Missão dada é missão executada!!